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Incertezas, dúvidas, questionamentos, dilemas, as encruzilhadas morais de todas as noites insones, eis os fantasmas mais aterrorizantes. Obsessa desde o princípio dos tempos pelos impasses que jamais a irão abandonar, por mais que resista, a humanidade balança e goza seus efêmeros prazeres, angustiada, ignorando os males que seduzem-na como a fera à presa. O jeito como Sarah, a protagonista de “Não Feche os Olhos”, reage ao se deparar com problemas que não são seus é, não se pode negar, bastante incômodo, mas à medida que o filme de Anthony Scott Burns se desenrola, fica muito claro que ela apenas responde a um estímulo mais forte, alimentando inconscientemente ou não uma excrescência que vai derrubá-la logo. O pulo do gato de Burns e do corroteirista Daniel Weissenberger é levar o público a concluir que também pode passar por circunstâncias semelhantes e ver-se encarcerado em sua própria vida, desconhecendo-se.

Pane no sistema

A cabeça de Sarah Dunne é um labirinto escuro e gélido. Há algum tempo tudo o que ela quer é uma noite de descanso natural, mas tornou-se escrava de remédios e terapias ineficientes, arrastando-se de um lado para o outro como um zumbi. Cientistas de uma universidade local conduzem uma pesquisa sobre distúrbios do sono e Sarah tem, afinal, razões para animar-se e crer que não será mais alvo da chacota dos colegas de sala, ainda que esse dado de seu cotidiano não seja mais um problema que desperte sua atenção. Burns vale-se desse gancho para discorrer acerca das armadilhas que passam dos meandros do cérebro para o dia a dia, apostando em membros sem corpos e, evidentemente, no trabalho de Julia Sarah Stone, uma anti-heroína tão atormentada que dá medo.


Filme: Não Feche Os Olhos
Diretor: Anthony Scott Burns
Ano: 2020
Gênero: Ficção Científica/Terror
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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