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James Reece (Chris Pratt), comandante dos Navy SEALs, volta aos Estados Unidos depois de sobreviver a uma emboscada durante uma missão secreta no exterior. Ele quer descobrir por que a operação terminou em tantas mortes, mas suas lembranças não coincidem com as informações que recebe. Lançada em 2022, a primeira temporada de “A Lista Terminal” acompanha essa investigação, que começa sob suspeita de trauma e ganha urgência quando o perigo alcança pessoas próximas ao militar. Criada por David DiGilio a partir do romance de Jack Carr, com Antoine Fuqua na direção do episódio inaugural, a série combina ação e suspense a partir de uma dificuldade que nenhum treinamento poderia resolver. Reece precisa confiar na própria cabeça quando todos têm motivos para questioná-la.

A experiência em combate permite que ele reconheça ameaças e planeje seus movimentos. Fora da operação, porém, essa preparação não oferece segurança. O homem acostumado a assumir o comando precisa explicar o que aconteceu sem ter certeza de que consegue recordar cada detalhe. Há culpa pelas mortes dos companheiros, desconfiança em relação às versões oficiais e medo de que a ameaça continue depois do retorno para casa. Investigar significa também se expor a perguntas para as quais ele ainda não tem uma resposta confiável.

O sobrevivente também está sob suspeita

Pratt abandona boa parte da simpatia que costuma acompanhar seus personagens e interpreta Reece com o corpo pesado, o rosto fechado e poucas palavras. A escolha combina com alguém que permanece em estado de alerta mesmo longe do campo de batalha. Seu melhor trabalho aparece quando a firmeza do comandante esbarra numa lembrança incerta. O ator consegue sugerir o constrangimento de um homem que conhece os procedimentos de uma missão, mas perdeu a segurança para narrar a própria participação nela.

Essa fragilidade ajuda a sustentar os primeiros passos da história. Reece suspeita que houve algo além de um fracasso militar, enquanto as pessoas à sua volta precisam considerar a possibilidade de que seu relato esteja comprometido. O espectador fica preso entre essas duas hipóteses. Acompanhar o protagonista significa levar suas suspeitas a sério sem receber, de saída, todas as provas necessárias para confirmá-las.

Fuqua aproveita essa incerteza ao aproximar o público da percepção do comandante. Recordações surgem durante a investigação e interferem no que ele acredita ter presenciado. Quando uma lembrança muda nossa compreensão de uma informação, o suspense funciona. Quando apenas repete uma dor já estabelecida, a espera se torna cansativa. Ao longo dos episódios, os retornos ao passado nem sempre acrescentam o suficiente para justificar tantas interrupções.

Uma jornalista procura provas

Katie Buranek (Constance Wu) se aproxima de Reece interessada numa reportagem sobre o caso. Ele tem acesso ao que aconteceu durante a operação, mas seu depoimento apresenta lacunas. Ela precisa de informações verificáveis, enquanto ele procura alguém disposto a escutá-lo. A parceria nasce desse interesse compartilhado, embora os dois tenham objetivos e responsabilidades diferentes.

Wu traz um contraponto necessário à intensidade de Pratt. Katie observa, pergunta e procura comprovação onde o militar já considera possível agir. Essa diferença torna a relação mais interessante do que uma aliança baseada apenas em confiança. Uma suspeita pode orientar uma investigação, mas publicar uma acusação exige outro cuidado. Ao trabalhar com o relato de Reece, a jornalista precisa decidir o que consegue sustentar e quanto pode se aproximar sem comprometer a própria segurança.

A presença de Katie também impede que a apuração fique restrita às convicções do protagonista. Há uma distância importante entre acreditar num sobrevivente e aceitar todas as suas conclusões. A série ganha quando permite que essa distância apareça nas conversas. Pena que nem sempre dê à repórter espaço suficiente para desenvolver o trabalho com a mesma atenção dedicada aos preparativos do comandante.

Um amigo fora da hierarquia

Ben Edwards (Taylor Kitsch), antigo companheiro de Reece, oferece ajuda quando ele começa a procurar possíveis responsáveis pela emboscada. A familiaridade entre os dois dispensa apresentações solenes e traz algum alívio a uma história na qual quase todo mundo conversa com a gravidade de quem está prestes a autorizar uma operação militar. Kitsch dá ao personagem uma informalidade bem-vinda, sem apagar os riscos envolvidos na colaboração.

O apoio de Ben permite que Reece prossiga fora dos canais oficiais. Para um homem cuja credibilidade está sendo questionada, ter alguém disposto a ajudar representa uma vantagem importante. Também aumenta sua disposição para seguir as próprias suspeitas. O antigo companheiro fornece apoio, mas não pode resolver o problema central. Reece continua precisando distinguir o que recorda, o que consegue comprovar e aquilo em que deseja acreditar.

Quando investigar vira perseguir

Reunindo nomes numa lista, o comandante transforma uma apuração incerta numa busca por alvos específicos. É uma mudança que dá mais velocidade à ação, mas cobra um preço do suspense. A dúvida sobre sua percepção era uma das qualidades mais envolventes da temporada. Quando os episódios passam a privilegiar sua capacidade de perseguir e atacar, sobra menos espaço para examinar os erros que alguém nessa condição poderia cometer.

Pratt convence como um militar capaz de preparar uma ação e executá-la sob pressão. O problema aparece quando os roteiristas parecem tão impressionados com essa competência que deixam de questionar suas escolhas. A dor ajuda a compreender a urgência de Reece, mas não torna qualquer atitude igualmente interessante. Há mais força no homem que precisa avaliar uma informação contraditória do que naquele que simplesmente acrescenta outro nome à busca.

“A Lista Terminal” traz uma investigação compreensível, aliados com interesses distintos e um protagonista cuja vulnerabilidade sustenta boa parte da tensão. Também pesa a mão na solenidade e prolonga certas lembranças além do necessário. A primeira temporada rende mais quando Katie precisa comprovar uma suspeita, Ben oferece meios para continuar e Reece hesita diante do que a própria memória lhe apresenta. Nessas passagens, obter uma informação confiável exige mais do comandante do que preparar uma arma.


Filme: A Lista Terminal
Diretor: Jack Carr e David DiGilio
Ano: 2024
Gênero: Ação/Suspense
Avaliação: 4.5/5 1 1
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