Na Coreia do Sul, “A Médium” tomou de “Viúva Negra” a liderança da bilheteria no dia de sua estreia. No Prime Video, dá para entender o apelo desse terror tailandês a partir de uma escolha simples e inquietante: a família que teme uma possessão deixou entrar uma equipe de filmagem.
A Médium (2021)
Nim recebe os cinegrafistas em Isan, no nordeste da Tailândia. As mulheres de sua família servem há gerações a uma divindade chamada Bayan, e ela fala desse ofício com a naturalidade de quem explica o próprio trabalho. O interesse da equipe muda de direção quando Mink, sobrinha da médium, passa a agir de maneira estranha. Para alguns parentes, a jovem pode ter sido escolhida para suceder à tia. Nim conhece suficientemente bem o ritual para desconfiar dessa certeza.
Banjong Pisanthanakun filma o começo com a paciência de quem acompanha uma visita. Há tempo para ouvir uma resposta inteira e perceber o desembaraço de Nim diante da lente. Essa intimidade faz diferença quando a câmera passa da tia à sobrinha. Nim concordou em ser filmada para explicar o que faz. Mink, em sofrimento, aos poucos se vê cercada de pessoas que querem decidir o que está acontecendo com ela.
Sawanee Utoomma dá à tia uma segurança prática que sobrevive mesmo quando suas explicações começam a falhar. Já Narilya Gulmongkolpech precisa sustentar mudanças que a câmera procura no corpo de Mink antes que alguém saiba nomeá-las. Observar a distância entre as duas atrizes é uma das graças do filme. A tia olha para a sobrinha tentando descobrir como ajudá-la. Quem está atrás da câmera tem outro interesse, o de conseguir uma imagem que prove alguma coisa.
A história nasceu de uma ideia do sul-coreano Na Hong-jin, diretor de “O Lamento”, que também assina a produção. O encontro com Pisanthanakun dá ao terror duas horas para mudar o significado de um gesto corriqueiro. No começo, alguém ergue a câmera porque foi convidado a entrar. Mais tarde, a pergunta incômoda é por que essa pessoa ainda não a desligou.
O prêmio em BucheonEm 2021, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bucheon concedeu ao filme o Best of Bucheon, principal prêmio de sua competição de longas.

