Anne Hathaway interpreta uma estrela pop e canta músicas de Charli xcx, Jack Antonoff e FKA twigs em “Mother Mary”. Disponível na HBO Max, o filme de David Lowery reúne a atriz e Michaela Coel em um reencontro de antigas colaboradoras marcado por mágoas e inquietação sobrenatural.
Mother Mary (2026)
Às vésperas de voltar aos palcos, a cantora Mary procura Sam Anselm, a figurinista que participou da construção de sua imagem. As duas já foram amigas próximas, mas a colaboração terminou deixando ressentimentos. O pedido de ajuda obriga ambas a dividir novamente um espaço e a enfrentar assuntos que a distância não resolveu. A preparação do espetáculo ganha uma tensão que ultrapassa o trabalho.
Escrito e dirigido por David Lowery, o longa aproxima a fabricação de uma celebridade da intimidade entre quem aparece diante do público e quem ajuda a construir essa presença. Um figurino carrega decisões sobre corpo, exposição e poder. Nesse reencontro, a roupa a ser criada também oferece um caminho para pensar o que cada mulher reconhece — ou recusa — na outra.
O encontro de Hathaway com Michaela Coel sustenta esse interesse. A estrela precisa recorrer a alguém que conhece uma versão de sua vida anterior ao retorno planejado. Sam, por sua vez, não chega à conversa apenas como prestadora de um serviço. A amizade rompida faz com que a negociação envolva lembranças, dependência e os limites de uma reaproximação. A proposta pede atenção às tensões do diálogo e à atmosfera que se forma ao redor das personagens.
A música amplia a personagem para além da cena. O álbum “Mother Mary: Greatest Hits”, lançado pela A24, reúne canções interpretadas por Hathaway e coescritas por Jack Antonoff, Charli xcx, FKA twigs e pela própria atriz. A trilha instrumental é de Daniel Hart. São contribuições que dão existência sonora à cantora fictícia, com um repertório próprio para acompanhar sua imagem pública.
O filme interessa a quem procura um drama de relações atravessado por elementos sobrenaturais. O espetáculo pop funciona como uma porta de entrada para uma história de colaboração, feridas antigas e tentativa de retorno. Música e figurino participam dessa investigação: ajudam a perguntar quanto de uma identidade pode ser recomposto quando as pessoas que a construíram voltam a se encontrar.

