Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, “Sound of Falling”, também conhecido como “O Som da Queda”, acompanha quatro jovens ligadas à mesma fazenda alemã. Disponível na MUBI, o drama de Mascha Schilinski transforma um século de histórias familiares em uma investigação sobre memória e silêncio.
Sound of Falling (2025)
Alma, Erika, Angelika e Lenka passam a juventude em uma propriedade rural no norte da Alemanha, em épocas diferentes. A casa atravessa mudanças de costumes, relações familiares e formas de autoridade. Entre seus cômodos e os campos ao redor, cada garota tenta compreender aquilo que os adultos mostram, escondem ou deixam sem explicação. A distância de décadas não impede que suas experiências se aproximem.
O roteiro de Mascha Schilinski e Louise Peter faz dessas aproximações o princípio da narrativa. A história avança por lembranças, sensações e correspondências entre as personagens. Uma leitura possível desse desenho é perceber a casa como um arquivo: os moradores mudam, mas os espaços continuam a guardar os vestígios de quem esteve ali. Ao espectador cabe reconhecer as ligações que surgem entre esses tempos.
Essa forma exige atenção aos enquadramentos, aos ruídos e ao que permanece fora de campo. O trabalho de fotografia de Fabian Gamper e a montagem de Evelyn Rack ajudam a compor uma experiência em que a orientação depende também de detalhes visuais e sonoros. Vale entrar no filme disposto a acompanhar essas associações, sem esperar que cada passagem venha imediatamente explicada por um diálogo.
O interesse está na escala íntima com que um período tão longo é observado. A infância e a juventude oferecem pontos de vista limitados sobre acontecimentos que afetam uma família inteira. O que uma personagem ainda não consegue nomear pode ganhar outra dimensão quando a narrativa se aproxima de outra geração. A indicação é para quem aprecia dramas de memória, histórias familiares e um cinema que deixa espaço para a interpretação.
Reconhecimento em CannesNa edição de 2025 do Festival de Cannes, o longa dividiu o Prêmio do Júri com “Sirât”, de Oliver Laxe. A premiação reconheceu o trabalho de Mascha Schilinski na competição principal.

