Um livro premiado, duas adolescentes e um futuro decidido por outras pessoas. “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead” leva ao Disney+ a continuação do universo de Margaret Atwood, agora pela experiência de meninas educadas para aceitar a própria submissão.
Os Testamentos: Das Filhas de Gilead (2026)
Agnes cresceu em Gilead e conhece as regras que uma jovem respeitável deve seguir. Daisy chega de fora, trazendo outra relação com aquele mundo. As duas se encontram na escola comandada pela Tia Lydia, onde meninas são preparadas para se tornar esposas. Por trás dos salões elegantes, a formação exige obediência, disciplina e a renúncia à escolha. A amizade entre elas abre uma brecha numa ordem que depende de manter cada aluna dentro do papel que lhe foi reservado.
A premissa coloca a adolescência em um terreno especialmente inquietante: descobrir quem se é quando quase todas as respostas já foram impostas. O casamento deixa de ser um horizonte abstrato e passa a organizar a educação das meninas. Nesse ambiente, uma dúvida ou uma conversa entre amigas ganha consequências que ultrapassam a vida escolar. É por essa escala íntima que a história se aproxima da violência de um regime inteiro.
Chase Infiniti e Lucy Halliday interpretam as protagonistas, enquanto Ann Dowd volta como Lydia. Bruce Miller, responsável pela adaptação televisiva de “The Handmaid’s Tale”, assina a criação. O vínculo com a série anterior aparece na equipe e no cenário político, mas o centro dramático pertence a outra geração, para a qual o sistema já existia antes de qualquer lembrança.
O ponto de partida literário é o romance “Os Testamentos”, publicado por Margaret Atwood em 2019. Naquele ano, o livro dividiu o Booker Prize com “Girl, Woman, Other”, de Bernardine Evaristo. A adaptação estreou em abril de 2026 e tem dez episódios na primeira temporada. Para quem se interessa por distopias, o convite está nessa mudança de perspectiva: acompanhar personagens que ainda precisam descobrir o que lhes foi negado antes mesmo de poder desejá-lo.

