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Benjamin Siegel (Warren Beatty) vai a Los Angeles, nos anos 1940, para assumir os negócios de apostas de seus parceiros de Nova York. A visita deveria durar poucos dias, mas Hollywood e a atriz Virginia Hill (Annette Bening) lhe dão razões para ficar. Em “Bugsy”, de 1991, o diretor Barry Levinson acompanha esse mafioso sedutor e violento enquanto ele transforma uma viagem de trabalho numa aposta arriscada, construir um hotel-cassino luxuoso no deserto de Nevada.

Siegel tem dinheiro, influência e uma confiança que costuma dispensar qualquer conselho. Também gosta de roupas elegantes, celebridades e mulheres bonitas. Beatty reúne essas características sem transformar o personagem numa figura inteiramente simpática. Seu Benjamin pode ser encantador durante uma conversa e ameaçador poucos minutos depois. A boa aparência ajuda a conseguir o que deseja, mas quem trabalha com ele conhece o perigo de contrariá-lo.

Hollywood prolonga a estadia

A amizade com o ator George Raft (Joe Mantegna) abre as portas dos estúdios. É nesse ambiente que Siegel conhece Virginia, uma mulher pouco impressionada com sua fama e bastante disposta a responder às suas investidas. Acostumado a dar ordens, ele se interessa por alguém que tem vontade própria e nenhum compromisso com sua autoridade.

O envolvimento contribui para que Benjamin compre uma casa em Beverly Hills e adie a volta. Em Nova York, sua esposa, Esta Siegel (Wendy Phillips), permanece com as duas filhas. Ele deseja aproveitar a nova vida sem abrir mão da anterior, uma conveniência que pesa sobre as mulheres envolvidas. O entusiasmo pela Califórnia tem um custo familiar que seu sorriso não consegue apagar.

Levinson dedica bastante tempo a essa aproximação. O namoro ganha espaço antes que o projeto de Las Vegas assuma o centro da história, e essa escolha tem vantagens e problemas. A relação ajuda a conhecer o protagonista, sobretudo sua dificuldade em aceitar vontades diferentes das próprias. Por outro lado, algumas discussões repetem comportamentos já apresentados e deixam a passagem para os negócios mais demorada.

Virginia recusa o papel de admiradora

Annette Bening dá a Virginia uma presença que faz diferença. A personagem tem segurança para enfrentar Siegel, responder a suas cobranças e participar de uma relação atravessada por atração, ciúme e desconfiança. Seu interesse por ele não elimina a percepção de que está lidando com um homem perigoso.

O casal convence especialmente quando o desejo esbarra na necessidade de mandar. Beatty preserva a vaidade de Benjamin até nos momentos em que ele tenta parecer generoso. Bening, por sua vez, não deixa que Virginia aceite tudo com um sorriso agradecido. Há prazer naquela companhia, mas a convivência cobra um esforço que nenhum dos dois parece disposto a fazer sozinho.

Esse é um dos pontos mais interessantes de “Bugsy”. O poder que Siegel exerce sobre seus subordinados oferece pouca ajuda quando ele quer ser amado. Ameaçar alguém pode assegurar obediência, porém não resolve uma discussão amorosa. Sua insistência em controlar Virginia torna o relacionamento mais instável e interfere nas decisões que toma fora de casa.

Um roubo muda a equipe

Enquanto se instala na Califórnia, Benjamin precisa assumir as operações administradas por Jack Dragna (Richard C. Sarafian). A tarefa atende aos interesses dos parceiros nova-iorquinos, que querem participar dos lucros das apostas locais. Dragna tem de aceitar a presença de um homem que chega disposto a mandar.

Um roubo cometido por Mickey Cohen (Harvey Keitel) oferece a Siegel uma oportunidade inesperada. Em vez de simplesmente puni-lo, ele propõe contratá-lo mediante a devolução do dinheiro. Benjamin reconhece utilidade naquele atrevimento e prefere ter Cohen trabalhando ao seu lado.

Keitel acrescenta energia a essas passagens sem precisar disputar toda a atenção com Beatty. Seu personagem tem uma insolência que combina com o ambiente e ajuda a revelar os critérios do novo chefe. Siegel pode tolerar um roubo quando vê vantagem no ladrão. Já a desonestidade de Dragna, descoberta durante a apuração do prejuízo, compromete a confiança e lhe custa autoridade.

Las Vegas entra nos planos

Cohen leva Benjamin e Virginia a Las Vegas para conhecer uma casa de jogos que poderia ser comprada. O estabelecimento não agrada aos dois. Siegel prefere imaginar algo muito maior, um hotel-cassino capaz de atrair visitantes pelo conforto, pelo luxo e pela possibilidade de apostar legalmente.

Ele quer construir o Flamingo, ou melhor, quer levar ao deserto uma experiência de riqueza que parece perfeitamente realizável em sua cabeça, embora dependa do dinheiro e da paciência de outros homens. É uma ideia com potencial comercial, apresentada por alguém cuja convicção costuma chegar antes das contas.

Meyer Lansky (Ben Kingsley), seu parceiro de longa data, recebe a proposta com cautela. Benjamin argumenta que o empreendimento pode dar respeitabilidade aos negócios do grupo. Lansky precisa considerar o investimento e a exposição dos associados. A diferença entre os dois favorece as cenas, com Kingsley oferecendo uma reserva que torna ainda mais evidente o entusiasmo de Beatty.

O apoio financeiro permite começar a construção. A partir desse compromisso, cada escolha de Siegel passa a envolver recursos alheios. Os investidores esperam um empreendimento rentável, enquanto ele acrescenta exigências ao hotel que deseja entregar.

O luxo começa a pesar

Virginia assume a contabilidade do Flamingo e precisa lidar com despesas crescentes. Benjamin continua comprometido com sua visão, mas demonstra menos disposição para aceitar restrições. O romance passa a dividir espaço com cobranças, pagamentos e interesses de sócios que estão longe de encarar a obra com o mesmo entusiasmo.

É nessa etapa que “Bugsy” ganha força. Levinson aproxima a ambição do protagonista de problemas concretos, dinheiro insuficiente, confiança comprometida e responsabilidades que não desaparecem diante de uma boa apresentação. Beatty torna convincente o homem que consegue entusiasmar os outros, ao mesmo tempo que deixa aparecer sua incapacidade de lidar com a resistência.

O charme recebe bastante espaço e, em algumas passagens, suaviza demais a percepção da violência de Siegel. Ainda assim, as cobranças em torno do Flamingo impedem que sua confiança seja confundida com competência. O hotel exige administração, e Benjamin prefere continuar sonhando com o que os hóspedes encontrarão quando chegarem. Enquanto ele acrescenta luxo ao projeto, Virginia precisa conseguir dinheiro para pagar as contas.


Filme: Bugsy
Diretor: Barry Levinson
Ano: 1991
Gênero: Biografia/Crime/Drama
Avaliação: 3.5/5 1 1
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