Como viver em meio à mais baixa extração de bandidos do mundo sem envolver-se com eles? Como suportar calado o avanço da corrupção? Pode-se recorrer às autoridades? Se o mundo fosse um imenso campo onde só florescesse o bom, o belo e o justo, ou ao menos um lugarzinho cada vez mais abafado no qual todos soubessem de suas obrigações e colocassem-nas em prática, sem esperar nada de quem quer que seja, vivendo apenas de acordo com o que manda a lei, figuras como Charles Heller não despertariam tanta simpatia. Analista de dados da CIA, Heller é obrigado a provar do próprio veneno e resolve ir à forra depois de uma tragédia pessoal, metamorfose que sustenta parte de “Operação Vingança”. James Hawes oferece uma ou outra pista sobre como dar-se-á esse plano de reparação, incluindo a longa jornada existencial do protagonista em busca de si mesmo. Gradualmente, ele tem sua conclusão.
Justiça ou morte
Heller é o típico boa-praça. Ele chega para mais um dia de trabalho no George Bush Center for Intelligence, em Langley, Virgínia, arredores de Washington, pensa que será chamado para algum programa com os colegas, mas só querem que ele tente descobrir qual o problema de um computador. Nenhum inconveniente, ele não se recusa, porém esse favor extraoficial leva-o a ficar sabendo de um malsucedido ataque de drones. Sua esposa, Sarah, morre em circunstâncias misteriosas durante uma viagem a Londres, informação ultrassecreta que o autoriza a pensar que os dois fatos se interliguem. Inspirado em “O Amador (1981)”, o thriller policial de Robert Littell, o roteiro de Ken Nolan e Gary Spinelli contorna lugares-comuns do gênero, olhando para Heller a peça minúscula e desprezível de uma engrenagem que pode e vai funcionar sem ele, e é isso que o deixa irado. Rami Malek, por seu turno, capta o pendor ao autossacrifício do anti-herói e apresenta sua performance mais rica desde que encarnou Freddie Mercury (1946-1991) em “Bohemian Rhapsody” (2018), de Bryan Singer e Dexter Fletcher, pelo qual venceu o Oscar de Melhor Ator em 2019.

