É cada vez mais difícil tentar prever até onde chegará a inteligência artificial e todas as falsas urgências de que a encarregamos sem trégua. Tanto que não é um completo absurdo vislumbrarmos uma humanoide que assume perfeitamente as formas de uma mulher nota mil virar a cabeça de um viúvo solitário e assim trazer a desgraça para o seio de um lar, premissa nada original de “Soulm8te”, uma ficção científica embalada em erotismo. Habilidosa, Kate Dolan recorre à química explosiva de protagonistas sensuais, perdendo-se aqui e ali em meio ao desejo de abraçar temas diversos em sóbrios 99 minutos.
Pane no sistema
Spin-off de “M3GAN” (2022), o terror futurista dirigido por Gerard Johnstone, percebe-se em “Soulm8te” influências de outros clássicos do gênero como o ótimo “Brinquedo Assassino” (1988), levado à tela por Tom Holland, o que acaba sendo um problema. Metodicamente, Dolan e os corroteiristas James Wan e Rafael Jordan esmiúçam a melancolia de David, um homem cujo ganha-pão é traduzir a barafunda dos algoritmos de IA em sistemas de produção. Sara, um protótipo de sua empresa, vira sua obsessão, a ponto de fazê-lo adaptar a ginoide conforme suas preferências, sem saber que ela não tardaria a manifestar vontades e melindres. Aubrey, uma colega de trabalho pela qual David tem uma queda, é a primeira vítima, e a partir desse momento a diretora mistura assuntos como misoginia e masculinidade tóxica sem deixar muito claro aonde isso deve chegar. David Rysdahl, Lily Sullivan e Claudia Doumit reduzem os danos, mas não fazem milagre.

