Não se pode negar: Tyler Perry é um portento… empresarial. Perry consegue farejar os desejos de seu público, e responde com produções imersas em estética visual ora colorida em excesso, ora assumidamente melancólica, sempre apelando aos sentidos mais básicos do espectador e evitando grandes imprudências. O diretor é sem dúvida o representante-mor do modelo fabril que define certo cinema, lançando filmes a rodo, como se tem visto durante as últimas duas décadas e meia. Pode-se comprovar tal inferência assistindo-se a “Cartas de Redenção”, seu novo longa, abundante em clichês, didatismo moral e conflitos socioeconômicos observados sob a ótica da torcida e do pensamento mágico.
O amor é paciente. Os críticos também
Anika Morrison é a típica mocinha perriana. Logo na primeira sequência, fica claro que restaram poucas ilusões para a moça, uma agente penitenciária que sonha tornar-se enfermeira, mas não consegue os oito mil dólares para o financiamento nem um avalista. A situação piora muito depois do motim em que ela é feita refém e só não é estuprada porque recebe a ajuda de um detento, preso aos catorze anos por tentativa de homicídio. Qualquer um já sabe o que acontece a seguir, mormente quando surge na tela um desenho de Carousel White, o tal prisioneiro, que começa a enviar cartas a Anika, agora batalhando para criar Nia, a filha pequena, sem um emprego. Qualquer um sabe também que isso é o melhor do pior no filme, e Naomi Baker e Jay Reeves têm o carisma necessário para nos prender. Tyler Perry não para. Eu também não.

