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A vida no crime não é fácil. Depois de levar meses elaborando planos minuciosamente cuidados, acionar os contatos certos para cada fase de uma empreitada facinorosa, disparar umas tantas mensagens ameaçadoras para quem porventura venha a supor que pode interditar as ambições da quadrilha, sempre existe o risco de que tudo dê em nada. Questões intrigantes (e inoportunas) como essas há muitos anos ocupam o pensamento de Thurmond Fowler, o xerife de Bare Hollow, cidadezinha do Mississípi que serve de palco aos eventos hediondos e curiosos de “Quando a Morte Chega”, o típico suspense policial. Michael Mailer lança mão de alguns bons expedientes do gênero a fim de manter o espectador interessado no que se desenrola ao longo de hora e meia, até o filme apontar para a reviravolta tão absurda quanto plausível que deixa um travo de decepção na humanidade.

Poder e cobiça

Tudo em Bare Hollow parece imerso numa bruma de estranheza, começando pelo programa de rádio em que o locutor vai tentando seduzir a audiência com uma pergunta bizarra, mencionada no título original. Não muito tempo depois, uma série de ligações anônimas precedem o assassinato do pai de Delaine Moore, a carismática garçonete do Dewey’s Diner, e Fowler, claro, sabe que uma ocorrência puxa a outra, e tudo sempre piora. Mailer e o corroteirista Timothy Holland pintam Fowler como um policial íntegro, mas bronco, avesso a futilidades processuais como inquérito e depoimentos, em especial quando boa parte do que há de errado em sua jurisdição deve-se a Lucius McFalls — embora surjam evidências de uma sofisticada fraude do seguro de vida, junto com as dívidas de jogo do pai de Delaine. Muito do que se dá até o desfecho é conduzido por um Morgan Freeman sereno e talentoso como de hábito, levantando a bola para Jaimie Alexander e Darren Mann. Ainda sobra espaço para Cole Hauser roubar a cena na pele de Russ Potter, um corretor da bolsa que mais atrapalha que ajuda, dilatando as pistas falsas.


Filme: Quando a Morte Chega
Diretor: Michael Mailer
Ano: 2022
Gênero: Drama/Mistério/Policial/Suspense
Avaliação: 4/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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