A vida no crime não é fácil. Depois de levar meses elaborando planos minuciosamente cuidados, acionar os contatos certos para cada fase de uma empreitada facinorosa, disparar umas tantas mensagens ameaçadoras para quem porventura venha a supor que pode interditar as ambições da quadrilha, sempre existe o risco de que tudo dê em nada. Questões intrigantes (e inoportunas) como essas há muitos anos ocupam o pensamento de Thurmond Fowler, o xerife de Bare Hollow, cidadezinha do Mississípi que serve de palco aos eventos hediondos e curiosos de “Quando a Morte Chega”, o típico suspense policial. Michael Mailer lança mão de alguns bons expedientes do gênero a fim de manter o espectador interessado no que se desenrola ao longo de hora e meia, até o filme apontar para a reviravolta tão absurda quanto plausível que deixa um travo de decepção na humanidade.
Poder e cobiça
Tudo em Bare Hollow parece imerso numa bruma de estranheza, começando pelo programa de rádio em que o locutor vai tentando seduzir a audiência com uma pergunta bizarra, mencionada no título original. Não muito tempo depois, uma série de ligações anônimas precedem o assassinato do pai de Delaine Moore, a carismática garçonete do Dewey’s Diner, e Fowler, claro, sabe que uma ocorrência puxa a outra, e tudo sempre piora. Mailer e o corroteirista Timothy Holland pintam Fowler como um policial íntegro, mas bronco, avesso a futilidades processuais como inquérito e depoimentos, em especial quando boa parte do que há de errado em sua jurisdição deve-se a Lucius McFalls — embora surjam evidências de uma sofisticada fraude do seguro de vida, junto com as dívidas de jogo do pai de Delaine. Muito do que se dá até o desfecho é conduzido por um Morgan Freeman sereno e talentoso como de hábito, levantando a bola para Jaimie Alexander e Darren Mann. Ainda sobra espaço para Cole Hauser roubar a cena na pele de Russ Potter, um corretor da bolsa que mais atrapalha que ajuda, dilatando as pistas falsas.

