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Leitores com formação literária preferiam os textos humanos. Depois que o ChatGPT recebeu treinamento específico com livros dos escritores que deveria imitar, passaram a favorecer a máquina. Margaret Atwood, Haruki Murakami, Salman Rushdie e os vencedores do Nobel Han Kang e Kazuo Ishiguro estavam entre os 30 autores usados no treinamento. As imitações humanas foram escritas por outros participantes.

Entre os avaliadores literários, a probabilidade estimada de preferir a qualidade do texto do ChatGPT era de 19,3%. Depois do treinamento com os livros, chegou a 57,8%.

A pesquisa é de Tuhin Chakrabarty, Jane Ginsburg e Paramveer Dhillon, de Stony Brook, Columbia e Michigan. Divulgado em outubro de 2025 e atualizado em março de 2026, o estudo está disponível como trabalho preliminar em avaliação.

Os pesquisadores recrutaram 28 escritores, predominantemente formados ou em formação em mestrados de escrita criativa. Escritores e modelos de inteligência artificial receberam orientações de conteúdo e exemplos da prosa a ser imitada. A tarefa era escrever passagens curtas, de até 450 palavras. A etapa inicial incluía 50 autores; 30 deles foram escolhidos para o treinamento específico, realizado separadamente para cada escritor. Han Kang e Haruki Murakami entraram no experimento em traduções para o inglês.

Na avaliação, os textos apareciam aos pares e o leitor precisava escolher qual considerava melhor e qual se aproximava mais do estilo solicitado. Os escritores também avaliaram, mas não os próprios textos. Participaram ainda 516 leitores com formação universitária, sem especialização literária.

Na fidelidade ao estilo, a probabilidade estimada de preferir o ChatGPT passou de 32% para 74,1% entre os avaliadores literários. Entre os leitores sem especialização literária, subiu de 52,5% para 80,3%. Esse segundo grupo já favorecia a máquina na avaliação da qualidade da prosa. Nesse critério, a preferência estimada foi de 62,1% antes do treinamento específico para 69,9% depois dele.

Dhillon, em entrevista à Universidade de Michigan, explicou que, antes do treinamento específico, os avaliadores literários se incomodavam com emoções explicadas demais e metáforas gastas.

Nas imitações de Kazuo Ishiguro, a preferência pela IA chegou a 94% no critério de estilo e ficou em 49% no de qualidade. Parecer com Ishiguro e escrever melhor eram julgamentos diferentes. Esses números reúnem os dois públicos. Foram 72 comparações para cada autor, apenas nove delas feitas por avaliadores literários.

Nas entrevistas realizadas depois da avaliação, um dos participantes, identificado como W3, considerou “profundamente angustiante”, em tradução do inglês, descobrir que preferira o texto artificial. O depoimento aparece em um trabalho associado de Chakrabarty e Dhillon, que reúne as reações dos escritores à experiência.

W23, outra participante entrevistada, questionou as condições de produção do texto humano. Ao comentar o teste, ressaltou que havia trabalhado sob restrições de tempo e que encarava a atividade como uma tarefa remunerada.

W15 admitiu que a máquina a surpreendera, inclusive pelo humor e pela ironia, mas observou que havia julgado excertos, não um romance.

Revista Bula

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