Nas caixas da memória, quando vou buscar inspiração, perco tempo. Melhor olhar para a janela, ver se atrás das montanhas há alguma nesga de futuro.
Há regras: beber bastante água, exercitar-se, maneirar nos prazeres, dormir bem. Tentar reduzir os níveis de estresse, não se importando muito com as notícias das guerras, das eleições, dos preços altos e dos salários baixos.
Uma vida toda rodeada por livros e lembranças. Uma vida toda buscando a próxima viagem, o próximo destino, o próximo lugar para arrancar fotografias inéditas e alguns textos tortos.
Há regras. Para serem quebradas também. Dribladas às vezes. Questionadas em outras.
Quem vai ser o próximo terráqueo a pisar na Lua? Quem ganhará o Nobel de Literatura neste ano? Qual será o mais novo país a ser inventado? Quantos graus mais quente será o verão do ano que vem? Quantas ararinhas-azuis ainda existem na natureza?
Pensamentos.
Com quantos paus se faz uma canoa? Quem semeia vento colhe mesmo tempestade? Como é que se divide por zero? Por que o céu é azul? É azul mesmo? Nem é, né? Quantas formigas existem no planeta? Quem vai ser o próximo presidente dos Estados Unidos?
Pensamentos.
Pensamentos para outra hora. Para logo mais. Para nunca mais. Para daqui a pouco.
Para, daqui a pouco, serem empacotados e despachados no Aeroporto de Ljubljana. Não sei se irei abri-los durante as férias ou se eles serão apenas peso-morto carregado, como aquele livro que a gente leva e nem folheia, como aquele remédio que a gente carrega apenas para o caso de precisar.

