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Sophie Birenbaum (Sunny Sandler) consegue o papel principal no musical de sua escola, nos Estados Unidos, quando a volta do câncer da mãe muda a rotina familiar. Entre os ensaios de “Waitress”, uma paixão adolescente e o silêncio mantido pelos pais, ela tenta preservar uma conquista importante sem ignorar o agravamento da doença dentro de casa.

Sophie começa “Não Deseje Boa Sorte” preocupada com uma queimadura provocada pelo modelador de cabelo. Aquele pequeno desastre parece enorme para uma adolescente prestes a participar da audição mais importante de sua vida. A aflição dura pouco. Minutos antes de subir ao palco, ela ouve por acidente uma conversa entre o pai e o médico da mãe.

Ted Birenbaum (Max Greenfield) liga sem querer para a filha durante a consulta. Do outro lado da chamada, Sophie descobre que o câncer de Elizabeth (Melanie Lynskey) voltou. O pai não percebe o engano, e a garota entra na audição carregando uma informação que os adultos pretendiam esconder.

Mesmo abalada, Sophie canta e conquista o papel de Jenna na montagem escolar de “Waitress”. A vitória coloca a estudante no centro do espetáculo e obriga outra candidata, bem menos simpática, a aceitar uma função secundária. O que deveria inaugurar um período de euforia passa a dividir espaço com o medo de perder a mãe.

A situação cria uma dor difícil de admitir. Ted e Elizabeth acreditam que estão protegendo os filhos ao manter a doença em segredo. Sophie, por sua vez, finge desconhecer o diagnóstico porque não sabe quando nem de que maneira revelar que ouviu a conversa. Todos dividem a mesma casa, mas cada pessoa guarda uma parte diferente da verdade.

O silêncio ocupa a casa

Elizabeth enfrenta o retorno do câncer enquanto tenta acompanhar os preparativos da filha. Melanie Lynskey interpreta a personagem com sensibilidade e sem transformar cada cena em pedido de lágrimas. A mãe demonstra carinho, cansaço, irritação e medo por meio de mudanças discretas, muitas delas percebidas por Sophie antes que qualquer adulto diga alguma coisa.

Ted insiste em conservar a rotina porque o musical representa uma conquista enorme para a filha. Sua intenção é generosa, mas o plano cobra um preço alto. Ao impedir uma conversa honesta, ele deixa Sophie sozinha com a notícia e obriga a adolescente a representar dois papéis. Na escola, ela precisa ser a protagonista confiante. Em casa, deve parecer uma filha despreocupada.

A saúde de Elizabeth piora, e os avós chegam para ajudar. O avô vivido por Steve Buscemi oferece uma companhia doce e acolhedora. Já a avó interpretada por Bebe Neuwirth é mais incisiva, controladora e capaz de ocupar qualquer ambiente antes mesmo de colocar a bolsa sobre a mesa. A presença dos dois confirma que a família já não consegue manter a rotina anterior.

A casa fica mais cheia, mas Sophie continua isolada. Ela observa os adultos distribuírem tarefas, acompanharem Elizabeth e cuidarem dos irmãos menores, enquanto ninguém lhe concede espaço para falar sobre o medo. “Não Deseje Boa Sorte” acerta ao mostrar que o silêncio familiar raramente produz tranquilidade. Ele apenas obriga cada pessoa a sofrer em um cômodo diferente.

O palco oferece outro problema

Na escola, Sophie precisa aprender músicas, decorar marcações e sustentar a personagem principal diante dos colegas. Ms. Parker (Stephanie Beatriz), responsável pela montagem, percebe o talento da estudante e exige dedicação. A professora vê uma jovem tímida com voz suficiente para ocupar o palco, embora desconheça a situação enfrentada por ela fora dos ensaios.

O musical também aproxima Sophie de Jack (Jack Champion), colega bonito, de cabelo cuidadosamente desarrumado e alvo antigo de sua paixão. Os dois precisam ensaiar um beijo previsto pela peça. Para alguém sem experiência, a tarefa ganha a gravidade de uma missão diplomática, com a pequena diferença de que diplomatas raramente precisam cantar logo depois.

Sophie tenta transformar a proximidade profissional em romance. A falta de habilidade produz conversas constrangedoras, gestos precipitados e aquela sensação adolescente de que um erro de poucos segundos será lembrado pelo colégio inteiro até a formatura. Jack representa uma chance de viver algo leve, mas a preocupação com Elizabeth acompanha a garota até nos encontros mais descontraídos.

Durante uma festa, Sophie bebe além da conta e tenta se aproximar dele. A noite revela o quanto ela perdeu o domínio sobre emoções que vinha guardando desde o telefonema. O constrangimento rende passagens engraçadas, embora a comédia nunca apague a razão de seu comportamento. A adolescente busca alguma alegria porque sabe que a vida doméstica pode piorar a qualquer momento.

Sunny Sandler assume o centro

Filha de Adam Sandler, também produtor do longa, Sunny Sandler ocupa o papel principal sob uma desconfiança previsível. A escalação permite falar em privilégio familiar, sobretudo porque a produção pertence à empresa comandada por seu pai. Ainda assim, a atriz demonstra talento suficiente para não depender apenas do sobrenome.

Sunny canta bem e transmite a insegurança de Sophie sem transformar a adolescente em uma figura passiva. Sua personagem deseja o papel, gosta de Jack e quer ser reconhecida pelos colegas. A doença da mãe não apaga essas vontades. Apenas faz com que cada uma delas venha acompanhada de culpa.

A ligação entre Sunny Sandler e Melanie Lynskey sustenta os melhores trechos de “Não Deseje Boa Sorte”. Quando o roteiro acumula romance, competição, avós, irmãos, delicatessen familiar e espetáculo escolar, as duas atrizes devolvem atenção à relação entre Sophie e Elizabeth. O vínculo entre mãe e filha possui ternura, pequenas irritações e intimidade suficiente para sobreviver até às escolhas mais convencionais do roteiro.

Julia Hart apresenta a doença pelo que ela provoca na rotina. Elizabeth perde energia, os avós assumem tarefas, Ted tenta controlar as informações e Sophie passa a observar o calendário dos ensaios com outra preocupação. A apresentação se aproxima enquanto a condição da mãe fica mais frágil, e a pergunta sobre sua presença na plateia ganha peso sem precisar de grandes discursos.

A apresentação vira um prazo

“Não Deseje Boa Sorte” reúne assuntos demais em pouco tempo. Há o romance juvenil, a disputa pelo protagonismo, a doença, o casamento dos pais, a convivência com os avós e a preparação de “Waitress”. Nem todos recebem o mesmo cuidado. Alguns personagens entram e saem sem deixar grande marca, enquanto certas situações parecem conhecidas de outros dramas adolescentes.

O telefonema acidental usado para revelar o diagnóstico também denuncia certa comodidade do roteiro. A solução coloca Sophie no centro da informação sem exigir uma conversa familiar mais elaborada. Ainda assim, o filme ganha força quando deixa a garota circular entre a escola e a casa, tentando aproveitar a conquista sem fingir para si mesma que tudo permanece bem.

A produção preserva os desejos comuns de Sophie. Ela quer cantar, beijar o rapaz bonito e provar que merece o papel. Também quer que Elizabeth esteja saudável o bastante para vê-la no palco. Nenhuma dessas vontades é pequena para uma adolescente, e Sunny Sandler sabe demonstrar a confusão sem transformar cada cena em sofrimento pesado.

“Não Deseje Boa Sorte” pode soar familiar para quem já assistiu a muitos dramas sobre jovens artistas e pais doentes. A diferença está no afeto entre as protagonistas, tratado com delicadeza por Sunny Sandler e Melanie Lynskey. Quando chega a hora da apresentação, Sophie leva ao palco tudo aquilo que passou semanas escondendo, enquanto procura na plateia a pessoa que tornou aquela noite tão importante.


Filme: Não Deseje Boa Sorte
Diretor: Julia Hart
Ano: 2026
Gênero: Drama/Musical
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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