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Em 2009, “Uma Noite no Museu 2” leva Larry Daley (Ben Stiller) ao Smithsonian Institution, em Washington, quando seus antigos amigos do Museu de História Natural são transferidos para o maior complexo museológico dos Estados Unidos e ficam ameaçados por uma nova confusão noturna. A aventura dirigida por Shawn Levy retoma a fantasia do primeiro filme, mas muda a escala da brincadeira. Agora, a bagunça não cabe mais em um único prédio. Ela se espalha por corredores, galerias, depósitos e salas históricas onde qualquer peça pode ganhar vida quando a luz se apaga.

Larry Daley já não é o vigia atrapalhado que passava a noite tentando impedir um tiranossauro de destruir o salão. Ele se tornou empresário, aparece na televisão vendendo invenções domésticas e tenta convencer a si mesmo de que deixou para trás aquela rotina absurda entre estátuas vivas e miniaturas temperamentais. Só que o passado, neste caso, não fica quieto dentro da vitrine.

Ao visitar o Museu de História Natural, em Nova York, Larry descobre que várias peças serão substituídas por atrações mais modernas. Seus velhos companheiros serão guardados em caixas e enviados ao Smithsonian. Entre eles estão o caubói Jedediah (Owen Wilson), o romano Octavius (Steve Coogan), o macaco Dexter, Teddy Roosevelt (Robin Williams) e outras figuras que formavam a turma mais improvável do horário noturno. A mudança parece apenas uma decisão administrativa, mas ganha outro peso porque aqueles personagens vivem de verdade quando a placa egípcia entra em ação.

Dr. McPhee (Ricky Gervais), sempre entre o descontrole e a formalidade, trata a retirada das peças com a frieza de quem precisa administrar um museu. Larry, por outro lado, enxerga ali uma espécie de despejo afetivo. Ele saiu daquele mundo, mas não se desligou dele. A ligação de Jedediah confirma que a transferência virou perigo, e Larry precisa correr para Washington antes que seus amigos desapareçam dentro de um acervo grande demais para qualquer resgate simples.

O Smithsonian vira labirinto

A mudança para o Smithsonian é a grande sacada de “Uma Noite no Museu 2”. O filme sai do espaço familiar do primeiro longa e passa a brincar com um cenário quase inesgotável. Há aviões, quadros, esculturas, documentos, criaturas pré-históricas, generais, imperadores e objetos históricos espalhados por salas que parecem não acabar. O museu deixa de ser apenas fundo de cena e vira parte essencial da confusão.

É nesse novo território que aparece Kahmunrah (Hank Azaria), irmão mais velho do faraó Ahkmenrah. Vaidoso, teatral e cheio de rancor acumulado, ele quer usar a placa egípcia para trazer um exército antigo de volta à vida. O plano tem ambição de vilão clássico, mas a execução passa por um filtro de comédia quase infantil, no melhor sentido. Kahmunrah fala grosso, ameaça todos ao redor e tenta impor medo, mas também precisa lidar com aliados que parecem saídos de uma reunião de egos históricos.

Entre esses aliados estão Ivan, o Terrível (Christopher Guest), Napoleão Bonaparte (Alain Chabat) e Al Capone (Jon Bernthal). O trio rende boas piadas porque cada um chega carregando uma reputação assustadora, mas nenhum deles escapa do ridículo quando colocado dentro daquela bagunça museológica. Shawn Levy aposta nesse contraste entre grandeza histórica e trapalhada de corredor. A ameaça existe, mas nunca pesa o bastante para tirar o filme do terreno familiar.

Amelia assume a aventura

A entrada de Amelia Earhart (Amy Adams) dá novo fôlego à história. A aviadora surge como uma parceira destemida, falante e dona de uma energia que empurra Larry para a ação. Ela não aceita muito bem a hesitação dele e encara o Smithsonian como um território a ser atravessado, não como um problema a ser lamentado. Amy Adams entende o tom da personagem e entrega uma Amelia luminosa, espirituosa e cheia de movimento.

A relação entre Larry e Amelia também ajuda o filme a sair da simples repetição. Ele chega tentando salvar os amigos, mas passa a ser provocado por alguém que encara o risco com entusiasmo. A diferença entre os dois cria boa parte da graça. Larry calcula demais, reclama bastante e tenta agir com alguma lógica. Amelia prefere avançar, pilotar, improvisar e transformar cada corredor em pista de decolagem.

Ben Stiller mantém Larry naquele ponto conhecido entre irritação, susto e ternura. Ele não precisa ser o mais corajoso da sala para que a história funcione. Na verdade, parte do encanto está em vê-lo cercado por figuras muito mais confiantes do que ele. Larry quer controlar a situação, mas quase sempre chega atrasado, mal informado ou usando um plano que depende de sorte. Em um museu daquele tamanho, isso já é metade do desastre.

Miniaturas roubam a cena

Jedediah e Octavius continuam entre os melhores recursos cômicos da franquia. Owen Wilson faz do caubói em miniatura um sujeito cheio de bravata, sempre pronto para falar como herói de faroeste mesmo quando está preso em uma situação absurda. Steve Coogan responde com a solenidade romana de Octavius, que trata cada missão pequena com peso de campanha militar. A diferença de tamanho nunca deixa de render piada, principalmente porque os dois se levam muito a sério.

O filme acerta quando transforma a escala em humor. Uma ameaça enorme para Jedediah pode ser apenas um objeto comum para Larry. Uma travessia quase épica para Octavius pode caber em poucos passos de uma pessoa normal. Essa desproporção dá ritmo às cenas e reforça a natureza lúdica da aventura. “Uma Noite no Museu 2” sabe que seu charme está menos na lógica e mais na alegria de ver peças de museu brigando por espaço em uma noite completamente fora do expediente.

General Custer (Bill Hader) também entra nessa linha de figuras históricas deslocadas. Ele tenta recuperar prestígio, mas sua autoridade vem sempre acompanhada de insegurança. O personagem funciona porque o filme não o transforma em aula. Ele aparece como mais uma peça viva dentro de um tabuleiro caótico, com orgulho suficiente para atrapalhar e fragilidade bastante para arrancar riso.

Fantasia com espírito leve

A graça de “Uma Noite no Museu 2” está na maneira como a fantasia se mistura à rotina de um resgate. Larry precisa entrar no Smithsonian, localizar os amigos, escapar dos vilões, proteger a placa e lidar com personagens que parecem incapazes de falar baixo. Cada passo abre outro problema. Cada sala oferece uma surpresa. Cada novo rosto histórico pode ajudar ou complicar tudo um pouco mais.

Shawn Levy mantém a narrativa em movimento e não tenta transformar a aventura em algo mais pesado do que ela precisa ser. O filme tem vilão, perseguição, ameaça antiga e missão de salvamento, mas seu coração está na comédia de convivência. O interesse não está em saber se o mundo será destruído, e sim em acompanhar Larry tentando manter alguma ordem enquanto um faraó ressentido, um caubói minúsculo, uma aviadora corajosa e um grupo de figuras históricas disputam atenção.

“Uma Noite no Museu 2” pode não ter o frescor da primeira visita a esse universo, mas compensa parte disso com escala, elenco afiado e uma boa disposição para o absurdo. É uma continuação maior, mais barulhenta e mais cheia de corredores para se perder. Quando Larry atravessa o Smithsonian para salvar seus amigos, o filme recupera algo simples e eficiente. A infância gosta de imaginar museus vivos, e a comédia gosta ainda mais quando ninguém ali sabe preencher um formulário de segurança.


Filme: Uma Noite no Museu 2
Diretor: Shawn Levy
Ano: 2009
Gênero: Aventura/Comédia/Fantasia
Avaliação: 3.5/5 1 1
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