A vida e seus golpes inesperados muitas vezes fazem-nos ter a certeza de que estamos num imenso tabuleiro, onde alguém controla o que pensamos, subverte nossas vontades e eis que chega a hora de encarar no susto mudanças das quais poderíamos nos abster. O mundo, este lugar cuja hostilidade fustiga-nos sem dó, fica ainda mais perigoso depois de certas experiências, daqueles passeios pelo que nunca se nos revela por mais que insistamos. Juntando terror, graça e o que mais couber para garantir entretenimento fácil, Stephen Sommers faz de “O Estranho Thomas” o passatempo ideal para abreviar o tédio de uma tarde sem fim. Sommers é hábil em sua adaptação do livro de Dean Koontz, escritor desconhecido do grande público, mas que sabe contar uma boa história.
Diversão assombrosa
Desde o primeiro suspiro, o homem é apanhado numa contenda contra o único adversário que nunca poderá vencer. É com o acaso que temos de nos haver todo santo dia, lutando para escapar de suas artimanhas, muitas sedutoras. Odd Thomas não tem nenhum talento especial, ele acha, ganha a vida como cozinheiro em Pico Mundo, Califórnia, e poderia seguir assim até a morte, não fosse a consciência pesar sempre que ocorre uma tragédia em sua comunidade. Antes mesmo que os policiais sejam chamados ou os legistas venham examinar os cadáveres, Thomas — que recebeu o primeiro nome devido ao erro do tabelião — recebe a visita de uma legião de bodachs, banshees e toda sorte de almas penadas, que tentam avisá-lo e fazê-lo tomar uma atitude, mas há circunstâncias em que ele não consegue evitar o pior. Uma ideia assim tão vesana poderia descambar para o vil ou o insultuoso, mas a direção de Sommers e o carisma de Anton Yelchin seguram o filme no terreno do puramente lúdico. Às vezes é só o que nos falta.

