À hora do jantar, famílias britânicas sentam-se diante de travessas de fish and chips, bangers and mash e shepherd’s pie e falam de seus prazeres e pesares, às vezes só por hábito. Desses momentos de comunhão familiar ficaram só memórias agridoces para uma mãe resiliente, mas exausta, e seus dois filhos, todos tentando superar a tragédia sobre a qual Tom Beard se debruça em “Apenas Nós”, um longa incomodamente bonito sobre mazelas do existir. Beard parece querer conferir movimento a um quadro de William Turner (1775-1851) e seus mares revoltos e tempestades diluvianas, abstração conhecida dessas figuras tão pictóricas cuja brutalidade emociona. Desambicioso, o diretor-roteirista vai convencendo-nos de que sua desdita nos une.
Lembranças e despedidas
Há quem fuja da vida, outros tentam dar as costas às escolhas que fizeram com pouca convicção, enquanto a verdade, feito o sol, ilumina, mas também queima. Essas evasivas só fazem prolongar uma verdadeira guerra, dividida em batalhas cruentas das quais não pode-se fugir, e uma vez abertos os flancos, hordas de inimigos vêm com fome de barbárie. Desde a primeira sequência, Beard deixa claro que quer ir fundo no sofrimento de Aisha, Violet e Troy, mas suaviza o mal-estar com tomadas de paisagens bucólicas, que enganam o público e não permitem que tenha a justa ideia do que virá. Samantha Morton toma conta de boa parte do filme, mostrando o luto de Aisha como um misto de loucura e apatia voluntária, mas Emilia Jones e Badger Skelton também fazem por merecer nossa atenção.

