Viajar é um jeito prazeroso de se amadurecer. Sair da rotina exige jogo de cintura e paciência com os imprevistos e as limitações, as nossas e as dos outros, ou seja, readaptar-se e refazer-se. Distâncias ficaram menores neste vasto mundo globalizado, o que robustece um dos inúmeros paradoxos da pós-modernidade, ponto colateral, mas inescapável, no divertido “Tomando Rumo”. Bobby Farrelly continua firme no besteirol que o projetou junto com o irmão Peter, mas trata de reinventar-se ao esboçar um rol de conflitos quase simplórios, mas repletos de camadas. Farrelly e o roteirista Thomas Moffett são habilidosos em incluir o espectador na aventura de um grupo de jovens disfuncionais que saem estrada afora com uma intenção até louvável, guiados por um líder inconsequente e romântico.
Sem piloto automático
Durante o calvário da adolescência, tudo fede a uma conspiração dos astros contra os nossos sonhos — ainda que o universo continue sua jornada do nada para lugar nenhum, indiferente às nossas angústias. Sentimo-nos solitários, implorando pela compaixão de alguém num silêncio atroador, e a orientação de pais atentos, privilégio de que nem todos gozam, pode evitar uma porção de encrencas, inclusive com a lei. Jeremy está atravessando um turbilhão de mudanças, e a mais perturbadora delas é continuar o namoro com Samantha estando cada qual numa cidade, além de ela já ter se tornado universitária e ele não. Sam Nivola encarna esse adorável anti-herói que arrasta outros três colegas para o sofrido reencontro, sem grandes novidades, mas convincente. Aidan Laprete, a propósito, também não faz feio como Yoshi, um traficante de drogas que só Hollywood é capaz de conceber.

