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Lançado em 2018, “Status Update: Perfil dos Sonhos” leva a comédia adolescente para Connecticut, onde Kyle Moore (Ross Lynch) tenta sobreviver a uma nova escola, a uma família em crise e a um aplicativo capaz de transformar qualquer postagem em realidade. Dirigido por Scott Speer, o filme mistura fantasia, romance e humor escolar para falar de um desejo muito conhecido por quem já teve 16 anos, o de apertar um botão e virar outra pessoa antes do intervalo.

Kyle chega a Connecticut sem qualquer entusiasmo. Ele deixou para trás a vida de surfista na Califórnia, o convívio com o pai, Darryl Moore (Rob Riggle), e uma rotina que parecia mais leve, mesmo quando faltava dinheiro. A mudança acontece depois da separação dos pais, o que obriga o adolescente a morar com a mãe, Ann Moore (Wendi McLendon-Covey), uma mulher rígida, e com a irmã Maxie Moore (Brec Bassinger), que tem a delicadeza típica de quem nasceu para provocar dentro de casa.

Na nova cidade, Kyle não ganha tempo para se adaptar. A escola já tem seus donos simbólicos, e eles usam patins, tacos e popularidade. O time de hóquei domina os corredores com a confiança de quem sabe que a instituição sempre olha primeiro para os atletas. Entre eles está Derek Lowe (Gregg Sulkin), capitão arrogante e interessado em preservar o próprio território. Para Kyle, o primeiro dia não parece uma apresentação, mas um aviso.

A humilhação vem sem cerimônia. Derek e seus colegas transformam o novato em alvo, quebram seu celular e deixam o garoto sem o único objeto que ainda o ligava à antiga vida. A cena tem graça amarga porque o filme trabalha com uma dor adolescente muito específica. Aos 16 anos, perder o telefone é quase perder documento, agenda, refúgio, espelho e alguma dignidade social.

A amizade que aparece no corredor

É nesse cenário que Lonnie Gregory (Harvey Guillén) se aproxima de Kyle. Lonnie não pertence ao grupo popular, tampouco finge pertencer. Ele conhece a hierarquia da escola por ter ficado tempo demais no rodapé dela. A amizade entre os dois nasce sem pompa, mas dá ao protagonista um ponto de apoio em meio ao festival de apelidos, olhares tortos e pequenas crueldades de corredor.

Harvey Guillén dá a Lonnie uma presença simpática, esperta e ligeiramente resignada. O personagem sabe que a escola pode ser injusta com precisão cirúrgica, mas também sabe rir do absurdo sem transformar tudo em tragédia. Sua função é importante porque ele enxerga Kyle antes que Kyle tente vender ao mundo uma versão turbinada de si mesmo. O amigo real aparece antes do sucesso falso, e essa ordem faz diferença.

Kyle também cruza o caminho de Dani McKenzie (Olivia Holt), uma garota com talento, bom senso e uma resistência natural às aparências montadas. Ela surge como interesse romântico, mas o roteiro lhe dá algo além da função de prêmio. Dani percebe as contradições de Kyle, reage às mentiras dele e ajuda a colocar algum peso humano numa comédia que poderia se contentar apenas com piadas de aplicativo.

O aplicativo entra em cena

Depois de perder o celular, Kyle recebe um novo aparelho de um gerente misterioso em um estande de shopping. Junto com o telefone vem o You-niverse, aplicativo que promete transformar a vida do usuário. A proposta parece propaganda ruim de tecnologia, daquelas que dariam vontade de fechar a tela em dois segundos. Só que, no universo do filme, o aplicativo realmente cumpre o que promete.

Cada status publicado por Kyle passa a virar fato. Se ele escreve que canta bem, a realidade se ajusta. Se deseja prestígio, a escola abre espaço. Se pede uma vida mais parecida com a fantasia que imaginou para si, o mundo obedece, mas cobra juros. A sacada funciona porque o filme trata o celular como atalho e armadilha. O aparelho dá acesso, mas também tira do protagonista a desculpa de que tudo deu errado por azar.

Ross Lynch sustenta bem essa mistura de encanto e atrapalhação. Kyle não é cruel, apenas inseguro o bastante para confundir admiração com afeto. O protagonista deseja ser visto, mas passa a usar o aplicativo para fabricar motivos de aplauso. A comédia nasce dessa distância entre o que ele pede e o que precisa sustentar depois, diante de colegas, professores, amigos e da garota de quem gosta.

Popularidade com prazo de validade

A entrada de Kyle no coro, no círculo dos populares e no universo do hóquei cria situações divertidas porque ele passa a ocupar espaços para os quais não trabalhou de verdade. O filme não pesa a mão na punição. Prefere deixar o garoto experimentar o brilho artificial por alguns minutos a mais, até que o brilho comece a denunciar as rachaduras. É uma escolha adequada para uma comédia adolescente, que precisa ser leve sem fingir que mentira não cobra nada.

Derek Lowe continua funcionando como barreira social. Gregg Sulkin interpreta o rival com a pose de quem aprendeu cedo a usar carisma como arma. O personagem não precisa ser complexo para cumprir seu papel. Ele representa o tipo de adolescente que transforma popularidade em porte de arma escolar. Quando Kyle passa a ganhar espaço, Derek reage porque vê no novato uma ameaça ao lugar que ocupava sem concorrência.

Charlotte Alden (Courtney Eaton) também entra nesse jogo de aparência. Ligada ao grupo mais popular, ela reforça a sedução de uma vida editada para impressionar. Ao se aproximar dela, Kyle se distancia de Dani e de Lonnie, justamente as duas pessoas que o tratavam como alguém de carne, osso e constrangimentos normais. A fantasia então deixa de ser só brincadeira tecnológica e vira uma conta social difícil de pagar.

Uma comédia sobre vaidade digital

“Status Update: Perfil dos Sonhos” não pretende ser uma grande reflexão sobre redes sociais, e isso joga a favor do filme. Scott Speer prefere acompanhar os tropeços de Kyle a transformar cada cena em sermão sobre juventude conectada. O resultado é uma comédia acessível, com fantasia simples e romance previsível no bom sentido, aquele em que o espectador já sabe o caminho geral, mas ainda se diverte com os desvios.

A direção trabalha melhor quando deixa o absurdo acontecer com rapidez e observa a reação dos personagens. Um pedido feito no aplicativo muda a rotina de Kyle, abre portas na escola e cria novos problemas antes que ele tenha maturidade para lidar com todos. Essa pressa combina com a lógica adolescente do filme. Quem nunca quis resolver a vida inteira em uma frase publicada que atire o primeiro carregador portátil.

O ponto mais interessante está na maneira como a fantasia revela uma fragilidade comum. Kyle quer recuperar o pai, conquistar respeito, impressionar Dani e deixar de ser o menino deslocado. São desejos compreensíveis. O problema é que o You-niverse oferece atalhos sem dar caráter, paciência ou coragem junto no pacote. Assim, cada vitória aparente afasta o protagonista das relações que poderiam sustentá-lo quando a mágica falhasse.

Leve, colorido e sem vocação para drama pesado, “Status Update: Perfil dos Sonhos” é um entretenimento juvenil com boa energia e elenco carismático. Ross Lynch carrega o filme com simpatia, Olivia Holt dá firmeza ao romance, e Harvey Guillén rouba pequenas cenas com uma humanidade discreta. Quando o aplicativo começa a cobrar o preço das postagens, Kyle precisa decidir se ainda quer ser admirado por uma versão que nem ele consegue manter.


Filme: Status Update: Perfil dos Sonhos
Diretor: Scott Speer
Ano: 2018
Gênero: Comédia/Fantasia/Romance
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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