O Teatro Goiânia recebe nesta quinta-feira, 25 de junho, às 18h30, a 64ª edição do Show do Esqueleto, espetáculo realizado por estudantes de Medicina da Universidade Federal de Goiás que transforma o antigo trote universitário em arte, humor, música, teatro, dança e reflexão social.
O projeto conta com fomento cultural do Programa Goyazes, do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás, a Secult Goiás. A iniciativa tem patrocínio da Belcar e do Leve Supermercados, com produção da Dias e Melo Assessoria Cultural, sob condução do produtor Wellington Dias.

Nesta edição, mais de 90 estudantes da Turma 73 do curso de Medicina da UFG sobem ao palco em uma montagem inédita, construída ao longo de quase um ano de preparação. A expectativa é reunir cerca de 700 pessoas no Teatro Goiânia, um dos principais equipamentos culturais da capital.
Tradição universitária que virou patrimônio cultural
Realizado pelo Centro Acadêmico XXI de Abril, o CAXXIA, em parceria com a Faculdade de Medicina da UFG, o Show do Esqueleto nasceu em 1962, quando estudantes da instituição decidiram substituir os tradicionais trotes violentos por uma forma mais criativa, humana e acolhedora de recepção aos calouros.

A primeira edição lotou o antigo Centro de Educação Física da universidade e marcou o início de uma trajetória que atravessa gerações. O que começou como alternativa ao trote se consolidou como um dos fenômenos culturais mais importantes ligados ao ambiente universitário em Goiás.
Ao longo das décadas, o espetáculo ampliou seu alcance e passou a incorporar temas ligados à cidadania, política, filosofia, formação médica, vida acadêmica e crítica social. O humor, no entanto, permaneceu como uma de suas principais marcas.
Hoje, o Show do Esqueleto é reconhecido como patrimônio cultural da Faculdade de Medicina da UFG e apontado como o espetáculo teatral em atividade contínua mais antigo do Brasil. O tombamento ocorreu em 20 de dezembro de 2006, por iniciativa do médico Heitor Rosa, reforçando a relevância histórica da montagem para a universidade e para a cultura goiana.
Mais de 90 estudantes em cena
A edição de 2026 reúne mais de 90 estudantes da Turma 73 de Medicina da UFG. A montagem combina teatro, música, dança, humor e reflexão em uma produção inédita, desenvolvida especialmente para esta apresentação.

Mais do que atuar, cantar e dançar, os alunos participam de diferentes etapas da construção do espetáculo. Parte do grupo integra o elenco, enquanto outros estudantes se dedicam à criação de cenários, figurinos, objetos de cena, adereços e demais elementos que compõem a identidade visual da montagem.
À frente da organização do 64º Show do Esqueleto, representando a Turma 73 junto ao CAXXIA, estão a presidente Heloísa Samartino e o vice-presidente Nicolas Marques.
Processo criativo coletivo
A dramaturgia inédita da edição de 2026 é assinada por Rodrigo Cunha e Valéria Braga, que também respondem pela direção teatral, direção de cena e preparação de elenco. Há 12 anos à frente do espetáculo, a dupla conduz um processo criativo construído coletivamente com os estudantes.

Antes de subir ao palco, os alunos passam por uma intensa jornada de formação artística. Ao longo de meses, participam de treinamentos vocais, corporais e teatrais, além de oficinas e laboratórios criativos.
O processo é colaborativo. Os próprios estudantes propõem personagens, situações, temas e esquetes, que são desenvolvidos e lapidados em conjunto com a direção até ganharem forma definitiva no espetáculo.
Para Vinícius Augusto, coordenador-geral do 64º Show do Esqueleto, a força da montagem está justamente no encontro entre a tradição e o olhar de uma nova geração.
“Cada edição nasce do encontro entre tradição e renovação. O Show do Esqueleto carrega uma história muito forte, mas é o olhar dos estudantes que o mantém vivo. Ver mais de 90 jovens dedicando quase um ano de suas vidas para construir um espetáculo coletivo é algo emocionante. O público encontrará uma montagem cheia de humor, sensibilidade, reflexão e, principalmente, verdade. É um espetáculo feito por estudantes, mas que dialoga com toda a sociedade”, afirma.
Renovação a cada edição
Segundo Rodrigo Cunha, a renovação anual do elenco é uma das razões para a longevidade e a vitalidade do Show do Esqueleto.

“Como todos os anos o elenco se renova, não é possível refazer nada que foi feito. São novos estudantes com anseios, perspectivas e desejos de contar suas próprias histórias e se enxergar no espetáculo. Isso faz com que o espetáculo esteja sempre renovado, com vigor e falando sobre a atualidade. O que se vê é trabalho muito árduo e resulta em material muito potente”, destaca.
Valéria Braga reforça que a construção do espetáculo é marcada pelo diálogo, pela criatividade e pela leveza.
“É um processo denso, mas sem ser pesado porque a leveza, o bom humor e a alegria dão o tom principal do Show. São ensaios, ideias aprovadas, outras que acabam passando por uma curadoria e não entram porque são muitas propostas e que não cabem em um só espetáculo. Mas o material que vai para o palco é garantia de muita emoção, reflexão e, claro, diversão para todos que forem conferir. São temas atuais e muito necessários”, ressalta.
Arte, crítica e resistência
Durante a ditadura militar, mesmo após o fechamento do Centro Acadêmico em 1964, o Show do Esqueleto continuou sendo realizado e se tornou um importante espaço de resistência cultural e crítica ao regime. Posteriormente, voltou a integrar oficialmente as atividades do Centro Acadêmico XXI de Abril.

Ao longo de mais de seis décadas, a iniciativa manteve sua essência: provocar reflexão por meio do riso. A cada edição, os temas mudam, mas a proposta permanece ligada à arte como instrumento de diálogo, crítica e transformação social.
O espetáculo também criou personagens que se tornaram parte da memória afetiva e cultural goiana. Entre eles estão as irreverentes Baleiras, figuras cômicas tradicionalmente interpretadas por estudantes de Medicina travestidos, responsáveis por arrancar gargalhadas dentro e fora dos palcos. Outro personagem emblemático é o próprio Esqueleto, responsável por conduzir a narrativa, provocar reflexões e encerrar o espetáculo.
Inclusão e compromisso social
A edição de 2026 também amplia o compromisso do evento com inclusão e acessibilidade. O palestrante e especialista PcD Brazil Nunes ministra um curso de boas práticas no atendimento ao público e ações acessíveis voltadas à equipe de produção e organização.
O espetáculo mantém ainda seu caráter beneficente. Parte da arrecadação será destinada a ações sociais, por meio da doação de alimentos para instituições e projetos comunitários.
A iniciativa reforça o compromisso dos estudantes com a responsabilidade social e amplia o alcance do Show do Esqueleto para além do ambiente acadêmico e do palco.
Ponte entre universidade e sociedade
Realizado em um dos principais equipamentos culturais de Goiânia, o Show do Esqueleto reafirma seu papel como ponte entre universidade, arte e sociedade.

Com mais de seis décadas de existência, milhares de estudantes já passaram pelos bastidores e pelos palcos do espetáculo. Muitos retornam anos depois como espectadores, acompanhados por familiares e amigos, fortalecendo os laços afetivos que ajudaram a transformar a montagem em um patrimônio cultural vivo.
Ao reunir formação acadêmica, criação coletiva, compromisso social e participação estudantil, o Show do Esqueleto demonstra que a formação médica também pode caminhar ao lado da criatividade, da sensibilidade e da construção de uma sociedade mais crítica e consciente.
SERVIÇO
64º Show do Esqueleto
Data: quinta-feira, 25 de junho de 2026
Horário: 18h30
Local: Teatro Goiânia
Ingressos: gratuitos
Retirada de ingressos: Show do Esqueleto
Mais informações: Instagram

