A esta altura dos acontecimentos todo mundo que lê já desenvolveu suas próprias birras e um sistema idiossincrático peculiar para detecção mental automática de IA, arrotando o tempo todo vereditos tais “este texto é feito pelos ChatGPTs da vida”. IA ou não IA, acabei não indo, acabou não fondo. Iu. Ui. Ai, aí, ó.
Eu tenho preguiça.
O meu amigo Z. outro dia me lembrou do Edison jovem que fui, quase 25 anos atrás, petulante estudante universitário. Eu gostava de vaticinar periclitante quase insidioso:
— Não sei o que vai virar isso aí de futuro do texto, só sei que eu quero estar no meio.
Pigarreava essas palavras gostosamente, saboreando-as uma a uma enquanto, devaneio mental, enrolava os fios do bigode e até dava uma batidinha no meu próprio peito — feito jogador de futebol depois que marca gol bonito.
Mas aí IA veio, ai de mim macaco velho. A frase de efeito mudou, meio porque, no fundo, fiquei enciumado dos meus travessões travessos que sempre gostei de usar tão bem também. Não é que ia? E ficou assim a sentença retumbante:
— Que diabo! Para textear bacana não basta inteligência artificial, posto que o que a literatura precisa, sempre precisou, é da mais pura burrice humana.

