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Em “Os Especialistas”, filme de ação, crime e suspense lançado em 2011, Jason Statham interpreta Danny Bryce, um assassino de aluguel altamente treinado que tenta abandonar a profissão depois de uma missão traumática. A direção é de Gary McKendry, que adapta livremente o livro “The Feather Men”, de Ranulph Fiennes, apresentado como uma história inspirada em eventos reais. O problema é que, nesse tipo de universo, aposentadoria costuma ser palavra bonita em contrato frágil. Danny quer ficar longe das armas, mas é puxado de volta quando Hunter (Robert De Niro), seu antigo mentor, é sequestrado no Oriente Médio.

A chantagem é simples e brutal. Para salvar Hunter, Danny precisa aceitar uma missão encomendada por um xeique que busca vingança pela morte dos filhos. O alvo não é qualquer grupo de criminosos, mas ex-integrantes do Serviço Aéreo Especial Britânico, o SAS, uma das forças militares mais respeitadas do mundo. A tarefa exige que essas mortes pareçam acidentes e ainda sejam acompanhadas de confissões. Ou seja, Danny não recebe apenas uma lista de nomes. Ele recebe um problema quase impossível, embalado com prazo curto, ameaça real e uma boa dose de insanidade administrativa.

A vingança atravessa países

A história passa por diferentes lugares, incluindo Austrália, Oriente Médio, Londres e Paris, mas o filme não usa essas locações apenas para fazer turismo de ação. Cada mudança de país coloca Danny diante de uma nova dificuldade. Na Austrália, ele tenta manter uma vida discreta e preservar algum vínculo afetivo com Anne Frazier (Yvonne Strahovski), uma mulher que representa a possibilidade de uma existência menos violenta. Fora dali, porém, a antiga profissão cobra presença, obediência e sangue frio.

Quando aceita a missão, Danny reúne contatos e aliados para chegar aos homens ligados ao passado do xeique. Entre eles estão Davies (Dominic Purcell) e Meier (Aden Young), parceiros que ajudam a executar o plano e também carregam seus próprios riscos. O filme se apoia nessa dinâmica de grupo, em que ninguém parece plenamente protegido. Há sempre alguém observando, alguém traindo, alguém cobrando uma dívida antiga. Nesse ambiente, confiança dura pouco e costuma vencer apenas até a próxima porta fechada.

“Os Especialistas” ganha força quando deixa o espectador acompanhar o passo a passo das operações. Danny não sai apenas batendo em todo mundo, embora Jason Statham tenha talento conhecido para resolver divergências com cotovelos, chaves de braço e olhares de poucos amigos. Ele precisa localizar alvos, montar aproximações, forjar situações e escapar de vigilâncias. A ação nasce desse trabalho sujo e meticuloso, quase burocrático, em que matar alguém exige planejamento, assinatura invisível e muita sorte.

Clive Owen entra na caçada

O grande contraponto de Danny é Spike Logan (Clive Owen), ex-membro do SAS ligado a uma sociedade secreta formada por antigos agentes britânicos. Spike percebe que os veteranos estão sendo eliminados e passa a proteger os seus. A partir daí, o filme coloca dois profissionais experientes em lados opostos. Danny age para salvar Hunter. Spike age para impedir que seus antigos companheiros sejam apagados um a um. Nenhum dos dois entra nessa disputa por vaidade. Os dois têm contas a preservar.

Clive Owen dá a Spike uma postura menos espalhafatosa que a de um vilão comum. Ele é frio, atento e desconfiado, mas também parece acreditar em algum tipo de lealdade entre homens que participaram de operações militares perigosas. Esse ponto torna a disputa mais interessante. Danny não enfrenta apenas um inimigo armado. Ele enfrenta uma rede de proteção, memória e influência, formada por gente que conhece os mesmos atalhos que ele. A caçada, então, deixa de ser unilateral e passa a morder dos dois lados.

Robert De Niro aparece como Hunter com uma presença mais econômica, mas importante para o peso emocional da história. O personagem não precisa explicar demais a relação com Danny. Sua posição de mentor sequestrado já basta para mover a trama. Hunter é a dívida afetiva que Danny não consegue ignorar. Mesmo quando está fora de cena, sua vida define o que o protagonista pode ou não fazer. Isso dá ao filme uma camada humana dentro de uma narrativa cheia de armas, passaportes, quartos de hotel e homens que falam pouco porque falar demais costuma matar.

Ação seca e paranoia elegante

Gary McKendry trabalha com um tipo de ação mais física, apoiada em perseguições, brigas corporais e operações de risco. O filme tem pancadaria, tiros e fugas, mas também reserva espaço para a paranoia. Ninguém sabe exatamente quem está manipulando quem. O xeique quer vingança, Danny quer salvar Hunter, Spike quer proteger antigos agentes, e vários intermediários orbitam esse conflito com interesses pouco transparentes. O resultado é uma trama de espionagem com cheiro de poeira, gasolina e arquivo escondido.

A graça ocasional vem justamente da seriedade extrema desses homens. Eles tratam confissões forjadas, acidentes planejados e encontros clandestinos com a solenidade de quem organiza uma assembleia de condomínio armada. O filme não vira comédia, evidentemente, mas há certo prazer em ver sujeitos tão competentes sendo obrigados a lidar com planos absurdamente difíceis. Statham atravessa tudo com sua habitual expressão de quem já acordou atrasado para uma briga, enquanto De Niro acrescenta ironia seca e Owen sustenta a tensão com elegância ameaçadora.

O roteiro, porém, nem sempre consegue manter todas as peças no mesmo ritmo. Há muitos interesses em circulação, e algumas passagens pedem atenção para que o espectador acompanhe quem serve a quem. Ainda assim, a premissa é forte o bastante para manter o envolvimento. “Os Especialistas” funciona melhor quando aposta no conflito entre dever profissional e dívida pessoal. Danny pode ser um assassino eficiente, mas a missão o obriga a agir por alguém que importa para ele. Isso muda o peso de cada escolha.

Um thriller de dívida e sobrevivência

O filme também se beneficia do trio principal. Jason Statham entrega o tipo de presença que o público espera dele, com energia física e poucas concessões sentimentais. Robert De Niro oferece gravidade a Hunter, mesmo em participação menos expansiva. Clive Owen, por sua vez, talvez seja quem mais surpreenda, porque faz de Spike um adversário firme, inteligente e menos óbvio do que o gênero costuma permitir. Os três ajudam a sustentar uma história que poderia se perder no excesso de conspirações.

“Os Especialistas” trata sua trama como uma sucessão de cobranças. Cada personagem deve algo a alguém. Danny deve a Hunter. Hunter deve ao passado. Spike deve lealdade aos seus antigos companheiros. O xeique deve satisfação aos próprios mortos. O filme coloca essas dívidas em movimento e deixa que elas empurrem os personagens para lugares cada vez mais perigosos.

“Os Especialistas” não é o filme mais elegante sobre espionagem e vingança, mas tem pulso, bons atores e uma trama que respeita a inteligência do espectador quando mantém o foco nas consequências. A ação diverte, a intriga sustenta a curiosidade e o elenco dá densidade a um enredo que poderia virar apenas pancadaria internacional. No saldo, é um thriller robusto, sujo na medida certa e movido por uma pergunta bastante eficiente. Até onde alguém vai quando a pessoa que o ensinou a sobreviver vira moeda de troca?


Filme: Os Especialistas
Diretor: Gary McKendry
Ano: 2011
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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