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Lançado em 2023 e dirigido por Gene Stupnitsky, “Que Horas Eu Te Pego?” chega em um momento em que as grandes comédias românticas para o cinema se tornaram cada vez mais raras. Ambientado na cidade litorânea de Montauk, em Nova York, o filme acompanha Maddie Barker, personagem de Jennifer Lawrence, uma mulher de 32 anos que enfrenta uma crise financeira crescente e vê sua vida virar de cabeça para baixo quando aceita uma proposta inusitada oferecida por um casal rico. A promessa de uma recompensa valiosa parece capaz de resolver seus problemas, mas a missão se revela muito mais complicada do que qualquer um imaginava.

Maddie vive em Montauk desde a infância. Ela conhece cada rua da cidade, trabalha como motorista de aplicativo e faz pequenos serviços para complementar a renda. A situação se agrava quando seu carro é apreendido por conta de dívidas e impostos atrasados. Sem o veículo, ela perde sua principal fonte de sustento e passa a correr o risco de perder a casa herdada da mãe.

Enquanto procura uma saída, ela encontra um anúncio curioso. Allison Becker (Laura Benanti) e Laird Becker (Matthew Broderick) estão desesperados com o comportamento do filho Percy Becker (Andrew Barth Feldman). Prestes a entrar na universidade, o rapaz é extremamente tímido, tem dificuldade para se relacionar com outras pessoas e passa boa parte do tempo isolado.

A solução encontrada pelos pais é tão extravagante quanto questionável. Eles oferecem um carro a quem conseguir sair com Percy e ajudá-lo a ganhar confiança antes de começar a nova fase da vida. Para Maddie, que precisa de dinheiro e transporte, a proposta parece impossível de recusar.

Nada sai conforme o planejado

Maddie imagina que a tarefa será simples. Afinal, ela é comunicativa, extrovertida e acostumada a lidar com pessoas diferentes todos os dias. Percy, porém, desmonta todas as suas expectativas logo no primeiro encontro.

O jovem interpreta situações sociais de maneira peculiar e demonstra uma inocência quase inacreditável para alguém de sua idade. Em vez de seguir qualquer roteiro previsível, ele reage de formas inesperadas, criando constrangimentos que transformam encontros comuns em verdadeiros desastres.

Jennifer Lawrence constrói uma personagem impulsiva, falante e frequentemente desastrada. Andrew Barth Feldman surge como seu oposto absoluto. Enquanto Maddie tenta acelerar tudo, Percy parece viver em outro ritmo.

Essa diferença cria algumas das sequências mais engraçadas do filme. Muitas delas dão certo porque o roteiro permite que os personagens se comportem como pessoas reais, cometendo erros, interpretando mal situações e tomando decisões ruins sem que a história precise forçar a piada.

Entre mentiras e aproximações inesperadas

À medida que os encontros se multiplicam, Maddie percebe que sua missão envolve mais do que ensinar Percy a flertar ou frequentar festas. O rapaz cresceu cercado por pais superprotetores que controlaram praticamente todos os aspectos de sua vida.

Percy possui inteligência, educação e sensibilidade, mas demonstra insegurança em situações simples que a maioria das pessoas aprende a enfrentar durante a adolescência. Cada pequena conquista exige esforço. Uma conversa, uma festa ou uma decisão banal podem se transformar em desafios enormes para ele.

Ao mesmo tempo, Maddie também carrega seus próprios problemas. Por trás da fachada confiante existe alguém que luta para manter a estabilidade financeira e que sente dificuldade para imaginar um futuro fora da cidade onde cresceu.

O roteiro trabalha essas fragilidades sem abandonar o tom leve. A relação entre os dois personagens passa a ganhar novas camadas conforme a convivência aumenta e ambos começam a enxergar aspectos da vida que antes preferiam ignorar.

Jennifer Lawrence carrega o filme

Embora o elenco funcione muito bem em conjunto, Jennifer Lawrence é o centro absoluto da produção. A atriz demonstra uma rara disposição para o ridículo. Ela aceita situações embaraçosas, brinca com sua própria imagem e transforma Maddie em uma personagem impossível de ignorar.

Lawrence possui timing cômico preciso e aproveita cada oportunidade para arrancar risadas sem transformar Maddie em uma caricatura. Mesmo quando a personagem toma decisões questionáveis, existe humanidade suficiente para manter a simpatia do público.

Andrew Barth Feldman também merece destaque. Sua interpretação evita exageros e constrói Percy com delicadeza. O personagem poderia facilmente se tornar apenas uma coleção de estereótipos sobre jovens introvertidos, mas o ator consegue torná-lo genuíno e emocionalmente convincente.

Laura Benanti e Matthew Broderick aparecem menos tempo em cena, mas representam com eficiência os pais cuja obsessão em preparar o filho para a vida adulta acaba contribuindo para boa parte dos problemas que tentam resolver.

Uma comédia romântica que surpreende

Gene Stupnitsky traz uma história que combina humor físico, diálogos afiados e personagens cheios de defeitos. O filme provoca gargalhadas, mas também reserva espaço para momentos sinceros entre pessoas que atravessam fases complicadas da vida.

Ao acompanhar Maddie tentando salvar sua casa e Percy tentando descobrir quem realmente é longe da influência dos pais, a produção constrói uma relação que desperta interesse muito além da premissa inusitada apresentada nos minutos iniciais.

“Que Horas Eu Te Pego?” resgata algo cada vez mais raro. Uma comédia romântica adulta, irreverente e confiante o bastante para apostar no carisma de seus personagens e deixar que eles carreguem a história até o último minuto.


Filme: Que Horas Eu Te Pego?
Diretor: Gene Stupnitsky
Ano: 2023
Gênero: Comédia/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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