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“Risa y la cabina del viento” chegou aos cinemas argentinos em 2025 carregando uma proposta rara dentro da produção recente do país. Dirigido por Juan Cabral, o longa mistura drama e fantasia para contar a história de uma menina que acredita ter encontrado uma forma de se comunicar com os mortos. Ambientada na paisagem fria e isolada da Terra do Fogo, a trama acompanha o luto de uma comunidade marcada por uma tragédia e a tentativa de uma criança de preencher um vazio que os adultos ao seu redor já não sabem como enfrentar.

Risa (Elena Romero) vive cercada pelas consequências de um incêndio que tirou a vida de dezenas de pessoas. Em meio aos escombros e às lembranças deixadas pela tragédia, um detalhe chama atenção dos moradores. Uma antiga cabine telefônica permaneceu intacta. A sobrevivência daquele objeto passa a ser vista por muitos como um sinal.

A curiosidade infantil leva Risa a se aproximar da cabine. Aos poucos, ela passa a acreditar que aquele telefone permite algum tipo de contato com pessoas que morreram. A ideia remete aos chamados “telefones do vento”, instalados em diferentes partes do mundo para que familiares possam conversar simbolicamente com entes queridos que já partiram.

Para a menina, porém, a experiência parece ir além de um simples ritual de despedida. O telefone se transforma em um elo entre o presente e aquilo que ela perdeu. A partir desse momento, sua rotina ganha um novo propósito.

A busca de uma menina por respostas

Mesmo cercada por nomes experientes, Elena Romero sustenta praticamente todas as cenas mais importantes da narrativa. Seu trabalho possui uma espontaneidade que impede a história de cair em excessos sentimentais.

Risa passa a observar o mundo de forma diferente. Cada ligação, cada conversa e cada novo visitante da cabine alimentam sua esperança de manter vivo um vínculo que parecia definitivamente rompido. Enquanto isso, os adultos tentam seguir suas vidas, muitas vezes sem perceber a dimensão da jornada emocional enfrentada pela garota.

Diego Peretti e Joaquín Furriel aparecem como figuras importantes nesse universo. Seus personagens representam perspectivas diferentes diante da perda e ajudam a construir o ambiente emocional que cerca a protagonista. Ambos trazem experiência e equilíbrio para um elenco que frequentemente gira em torno do olhar curioso e inquieto de Risa.

Entre a fantasia e a realidade

Juan Cabral demonstra interesse em caminhar por uma fronteira delicada. O filme nunca abandona completamente a realidade, mas também não oferece respostas definitivas para tudo o que acontece.

Essa escolha cria um espaço onde imaginação e memória convivem sem a necessidade de explicações permanentes. A cabine pode ser interpretada de diversas formas. Para alguns personagens, ela representa esperança. Para outros, uma forma de prolongar a dor. Há ainda quem a enxergue apenas como um objeto comum que recebeu um significado especial após a tragédia.

Essa ambiguidade ajuda a preservar o encanto da narrativa. Cabral parece mais interessado nas reações humanas do que em apresentar regras rígidas para os elementos fantásticos que introduz na história.

A beleza que por vezes desacelera a narrativa

Um dos aspectos mais comentados de “Risa y la cabina del viento” é sua construção visual. A fotografia de Leandro Filloy aproveita a geografia da Terra do Fogo para criar imagens de grande impacto. O céu, as montanhas, os ventos e os espaços vazios ajudam a transmitir a sensação de isolamento que acompanha os personagens.

Existem momentos em que cada enquadramento parece cuidadosamente elaborado para ser contemplado. Em certas passagens, esse refinamento produz resultados impressionantes. Em outras, a narrativa perde parte de seu ritmo porque a atenção se volta mais para a composição das imagens do que para os acontecimentos.

Essa característica não compromete a experiência, mas provoca uma sensação de irregularidade. O filme alterna trechos emocionalmente muito fortes com momentos em que a história parece permanecer parada observando sua própria paisagem.

A presença marcante dos Babasónicos

Outro elemento fundamental está na trilha sonora. Juan Cabral possui uma longa relação artística com os Babasónicos graças ao trabalho realizado em videoclipes da banda, e essa parceria reaparece de maneira significativa aqui.

Canções como “Zumba”, “Putita”, “Gratis”, “Mareo”, “Caliente” e “Risa” surgem ao longo da narrativa acompanhando diferentes fases da protagonista. As músicas não aparecem apenas como fundo musical. Elas ajudam a estabelecer o tom das cenas e reforçam sentimentos que muitas vezes permanecem guardados pelos personagens.

A faixa “Risa”, que compartilha o nome da protagonista, ganha um papel especialmente importante dentro da construção emocional do filme.

Uma aposta incomum no cinema argentino

Embora apresente oscilações e algumas subtramas nem sempre desenvolvidas com a mesma força, “Risa y la cabina del viento” demonstra ambição artística. O roteiro escrito por Pablo Minces e Juan Cabral procura unir fantasia, drama familiar e memória coletiva dentro de uma mesma narrativa.

Nem todas as peças desse quebra-cabeça se encaixam bem. Ainda assim, a produção mantém sua personalidade do início ao fim. A obra fala sobre luto, permanência e a necessidade humana de continuar conversando com quem já não está presente.

Ao apostar na perspectiva infantil para abordar temas tão delicados, Juan Cabral entrega um filme singular dentro do cinema argentino contemporâneo. Pode não ser uma experiência perfeitamente equilibrada, mas revela um diretor interessado em explorar territórios pouco visitados e uma jovem atriz que transforma essa delicada história em algo difícil de esquecer.


Filme: Risa e o Telefone do Vento
Diretor: Juan Cabral
Ano: 2025
Gênero: Drama/Fantasia
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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