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“Spacewalker: Rumo ao Desconhecido” leva o espectador para a União Soviética dos anos 1960, quando a Guerra Fria transformava cada conquista científica em uma disputa política entre Moscou e Washington. Dirigido por Dmitriy Kiselev e estrelado por Evgeniy Mironov, Konstantin Khabenskiy e Vladimir Ilin, o filme reconstrói a missão histórica que colocou o cosmonauta Alexei Leonov (Evgeniy Mironov) diante de um desafio que ninguém havia enfrentado antes. Realizar a primeira caminhada espacial da humanidade. Mais do que celebrar um feito tecnológico, a produção acompanha os riscos, os erros e os acidentes que quase impediram esse momento de acontecer.

Uma corrida contra o tempo

A história começa quando o programa espacial soviético atravessa uma fase delicada. Um técnico morre durante a preparação de uma nave e os engenheiros passam a questionar a segurança do projeto. Pouco depois, um teste fundamental termina em desastre. A espaçonave utilizada para validar os sistemas da futura Voskhod 2 sofre uma falha catastrófica durante o voo e deixa especialistas sem respostas.

Mesmo diante das dúvidas, a pressão política é enorme. A União Soviética precisa manter sua vantagem sobre os Estados Unidos na corrida espacial. Então, Alexei Leonov e Pavel Belyayev (Konstantin Khabenskiy) são escolhidos para a missão.

Os dois formam uma dupla experiente e confiam um no outro. A situação muda quando Pavel sofre uma lesão na perna durante um treinamento de paraquedas. Os responsáveis pelo programa consideram que ele não reúne condições físicas para voar e decidem substituí-lo por Yevgeny Khrunov (Aleksandr Novin), um cosmonauta mais jovem e sem a mesma experiência.

Alexei recebe a notícia com indignação. Para ele, a missão depende da parceria construída ao longo dos anos. Enquanto os superiores discutem alternativas, Pavel trava uma batalha silenciosa para recuperar sua vaga. Ele passa por sessões intensas de treinamento e insiste em provar que ainda pode cumprir sua função. Seu esforço acaba sendo recompensado e ele retorna à tripulação oficial.

O homem que saiu da nave

Depois de meses de preparação, a Voskhod 2 finalmente é lançada ao espaço. O clima é de euforia. A missão representa uma oportunidade histórica para a União Soviética e para seus cosmonautas.

Quando chega o momento mais aguardado, Alexei deixa a nave e se torna o primeiro ser humano a caminhar no espaço. Durante alguns minutos, tudo funciona conforme o planejado. As imagens são transmitidas para a Terra e o feito é comemorado por autoridades e cidadãos soviéticos.

A comemoração dura pouco.

O traje espacial de Alexei começa a inflar além do previsto. O problema dificulta seus movimentos e o impede de retornar ao módulo da forma planejada. Preso do lado de fora da nave, ele precisa tomar decisões arriscadas sem receber ajuda do controle em solo.

O medo cresce porque a comunicação entre a espaçonave e a Terra também desaparece durante parte da órbita. Sem orientação, Alexei decide ignorar procedimentos estabelecidos e improvisa uma forma de entrar novamente na cápsula. A manobra funciona, mas cobra um preço alto. Seu nível de oxigênio cai drasticamente e ele perde a consciência dentro da câmara de acesso.

Pavel age rapidamente e consegue reanimar o companheiro. O problema, porém, está longe de terminar.

Perigos dentro da cápsula

Enquanto orbitam a Terra, os dois astronautas descobrem que uma nova falha ameaça a missão. Um sistema da nave interpreta incorretamente um vazamento e começa a injetar oxigênio puro na cabine.

O ambiente passa a se tornar perigoso para a saúde da tripulação. Pavel chega a desmaiar devido aos efeitos da concentração excessiva de oxigênio. Alexei assume a responsabilidade de localizar um cabo específico escondido no teto da cápsula para desligar o mecanismo.

A sequência é uma das mais tensas do filme. Sem forças, sofrendo os efeitos da intoxicação e enfrentando alucinações provocadas pela falta de condições adequadas, Alexei luta para concluir uma tarefa aparentemente simples. Um único fio passa a representar a diferença entre a sobrevivência e a morte.

Kiselev transforma a cabine apertada da Voskhod 2 em um espaço sufocante. O espectador percebe que o perigo não vem apenas do vazio do espaço. Muitas vezes ele está dentro da própria nave.

A longa volta para casa

Quando os problemas parecem resolvidos, surge outro contratempo. O sistema automático responsável pelo retorno à Terra deixa de funcionar.

Sem alternativa, Pavel e Alexei recebem autorização para executar manualmente a manobra de reentrada. A tarefa exige precisão absoluta. Um erro mínimo pode fazer a cápsula pousar fora do território soviético.

A dupla consegue orientar a nave, mas o pouso acontece longe do local previsto. Em vez de encontrar equipes de resgate aguardando sua chegada, os cosmonautas se veem isolados em uma região remota dos montes Urais.

O cenário muda completamente. O filme abandona os centros de comando e os equipamentos sofisticados para mostrar dois homens cercados por neve, floresta e temperaturas hostis. Aviões sobrevoam a região. Helicópteros realizam buscas. As horas passam e a localização da cápsula permanece desconhecida.

A esperança surge quando um radioamador capta o sinal emitido pelos cosmonautas e comunica sua posição aproximada às autoridades. Mesmo assim, o resgate demora. O combustível das aeronaves é limitado e as condições climáticas dificultam a operação.

A sobrevivência passa a depender de resistência física e paciência.

“Spacewalker: Rumo ao Desconhecido” mantém os pés na realidade. O filme mostra homens que sentem medo, cometem erros e enfrentam situações para as quais ninguém havia criado um manual. O espaço aparece como um território fascinante, mas também profundamente hostil. E é justamente nessa combinação entre feito histórico e fragilidade humana que o filme encontra sua força.


Filme: Spacewalker: Rumo ao Desconhecido
Diretor: Dmitriy Kiselev
Ano: 2017
Gênero: Drama/Ficção Científica/História
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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