A pior coisa que já escrevi na vida
Tamburello... Narcisa tem sobrenome de curva assassina e — graças às vinte e três cirurgias plásticas realizadas com o famoso cirurgião anabolizado Doutor Roliúde — cultivou um corpo também curvilíneo, moldado com vários emiéles de silicone, lipoesculturas que deixariam Michelangelo estupefato e as massagens do Gustavão.
Atenta às tendências consumistas do mercado, às avalanches de lixo dos realiti-chous e às irrelevâncias do viver, aliada ainda a minha evidente falta de criatividade e do que escrever, a Revista Bula escalou este cronista para permanecer 24 horas (sem direito a pedir para sair...) ao lado da mulher rica Narcisa Tamburello (Nota: antes de se casar com o senil e milionário Comendador Apolinário, Narcisa sonhava em ser modelo, escritora, atriz, cantora, bailarina, apresentadora de televisão ou famosa).
Eu preferia ter sido escalado para Alcatraz, Carandiru, As Curvas da Estrada de Santos, ou mesmo para o Congresso Nacional. Mas, como os dois primeiros já estão desativados, Roberto Carlos não abre mão dos direitos autorais, o Congresso é muito perigoso, e eu precisava de dinheiro para comprar meus antidepressivos, aceitei encarar mais esta pedreira. Se eu fui capaz de ler o livro do Eique Batista até o final, por que não poderia enfrentar uma realiti-crônica com aquela socialiate? Então, com vocês, um meu dia desperdiçado ao lado mulher rica Narcisa Tamburello.
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Confesso que não vou muito ao cinema. E não o faço por vários motivos, dentre os quais, o frio que eu sinto dentro das salas de projeção (meu corpo magricelo não suporta o ar congelante) e a pipoca cara à beça (por acaso, utilizam milho transgênico importado dos esteites ou manteiga de leite de cabras montesas dos Alpes suíços?).
“Engulam: os Estados Unidos mandaram o homem à lua, e nós enviamos o nosso homem para falar com o Obama!”. Foi com estas palavras, sentado em sua cadeira reclinável de tecido puído, com os pés cruzados sobre a mesa, os cantos da boca espumando como um cão raivoso, que o editor da Revista Bula provocava um concorrente da imprensa, vangloriando-se pela entrevista que Obama concedera a mim em Nova Iorque.
“Que fase...” É o comentário corrente que tenho ouvido dos companheiros de peladinhas aos sábados. Não. Não tenho frequentando os fuleiros churrascos vespertinos baratos à beira da piscina lotada de “universitárias desinibas”. Nunca fui muito afeito aos prostíbulos e não será agora, aterrorizado pela Crise dos Quarenta, que o farei.
Como eu já suspeitava, repercutiram mal, entre alguns leitores, os textos que eu escrevi a respeito do Natal e do Ano Novo.
Parar com esta mania chata de fazer listas.
Para início de conversa, eu espero que lhe seja sorteado como “amigo oculto” o nome daquela cunhada que você mais odeia. Sim, porque, cá entre nós, tem muita gente na família que você não suporta de jeito nenhum, não é mesmo? Aguenta só porque é parente, né verdade?
Era um homem sem estudos, mas não era um sem vergonha. Antigamente, funcionava assim mesmo: a maioria das pessoas sofria, tinha um interesse medular, nevrálgico, irremovível em manter a dignidade e a própria honra. Hoje em dia, de dólar na cueca pra baixo, há todo tipo de canalhice.
Pode-se colecionar um bocado de decepções nessa vida. No sexo, amor, amizade, família, carreira, religião, política... Muitas vezes, de onde (ou de quem) menos se espera, brota o desapontamento, a desilusão. C’est la vie, mon cheri.
Naqueles dias, o que se ouvia, o que se constatava, e o que a imprensa não-comprada (ou seria não-vendida?!) noticiava em seus jornais diários é que faltavam médicos, remédios, luvas, sabões, tomografia, investimentos, gestão e vergonha das autoridades. Sobravam sofrimento e indignação. 