Autor: Lara Brenner

Ridículo mesmo não é ter asas, é o medo de parecer ridículo aos olhos de quem não sabe voar

Ridículo mesmo não é ter asas, é o medo de parecer ridículo aos olhos de quem não sabe voar

Ser humano adora um dilema existencial. Desde que se meteu a filosofar, descobriu não saber muito bem quem é, de onde vem, aonde vai nem o que quer. Anda em bando para garantir a sobrevivência e se sentir identificado, mas não aceita a ideia de ser igual a todo mundo. Procura exclusividade, mas não ao ponto de se tornar ridículo. Quer ser único, mas apenas até se tornar interessante.

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Se você escolheu fantasiar a vida, não ache ruim quando a verdade atropelar como um trator

Se você escolheu fantasiar a vida, não ache ruim quando a verdade atropelar como um trator

Quando se é criança, existem fantasias sobre monstros, bruxas, amigos invisíveis, diálogos curiosos e uma série de inverdades que, de uma ou outra forma, ajudam a interpretar a realidade. A idade vai chegando e inocentemente a crença em que a racionalidade a substitua. Que incauto! A fantasia troca de roupa e de nome: vai-se tornando polida e discreta, mas sua presença continua firme na vida adulta. Não dá para evitar, faz parte de nós.

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Insegurança e carência: os ingredientes secretos que estragam a vida de solteiro, a vida de casado e a vida de quem vive

Insegurança e carência: os ingredientes secretos que estragam a vida de solteiro, a vida de casado e a vida de quem vive

Quando penso em insegurança e carência, logo me vêm à mente textos e vídeos de autoajuda com o passo a passo para restaurar a própria estima, valorizar-se mais, superar os medos e esse bocado de coisas impossíveis de se ensinar como se fossem matérias de escola, mas que movimentam bilhões no mercado da exploração psicológica. Quem padece desses achaques se parece mais ou menos com um gato desguarnecido, cujos olhos saltam das órbitas pedindo atenção e temendo qualquer nuvem que não seja cor-de-rosa: presas fáceis das linhas de um mercado maquiavélico.

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A obsessão por celebridades é um soco no estômago de nossa autoestima

A obsessão por celebridades é um soco no estômago de nossa autoestima

Curiosidade por quem está no topo não é privilégio deste século. A vida da corte e da nobreza, bem como de certos intelectuais renomados, sempre foi cercada de bochichos e cochichos. Desde sempre, as pessoas curtem o escapismo das fofocas e unem-se em torno de um mesmo ídolo, respirando juntas o aliviado ar de quem sai de suas vidas normais e vive algo que pareça extraordinário. Formar satélites em torno de coisas em comum dá certo senso de identidade, de existência. Alimenta uma imposição psicológica.

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Jamais nos veremos se não sairmos de nós. Somos muitos em um só

Jamais nos veremos se não sairmos de nós. Somos muitos em um só

As pessoas se divorciam de si mesmas diversas vezes ao longo da vida. Olham-se nas fotos e não se identificam mais consigo, trocam o estilo das roupas, afastam-se de algumas amizades que, por uma ou outra razão, descobrem não ser tão amigas assim. O divórcio também pode ser do companheiro. As melhores versões só são entregues ao outro se houver a chance de atualizar as antigas, melhorando-as com os tropeços e oferecendo ao parceiro os aprimoramentos paridos pelas já cansadas versões.

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Perdoar não é fácil, mas é o melhor jeito de libertar e aliviar a alma

Perdoar não é fácil, mas é o melhor jeito de libertar e aliviar a alma

A verdade é que o perdão é a prova de que a humanidade racionalmente aceita o erro e a misericórdia do homem pode redimir suas tolices. Perdão é inimigo de orgulho e caminhamos a passos de formiga para superar essa vileza, mas ao menos existe a consciência de que os impiedosos pecados capitais vivem a nos assombrar. Conhecer as limitações é o primeiro passo para combatê-las.