Autor: Lara Brenner

Não é o que você diz. É a forma como diz que estraga tudo

Não é o que você diz. É a forma como diz que estraga tudo

Você certamente já vivenciou isso. Cheio de boas intenções, tentou passar o um recado, dizer algo coerente que ajudasse alguém a se melhorar, mas acabou se embananando todo, perguntando-se repetidamente por que decidiu abrir a boca. Por exemplo, com o tempo, descobre-se que é importante escolher o ângulo pelo qual se passa a mensagem, sem que isso afete sua essência.

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A vida é uma sequência de tapas na cara

A vida é uma sequência de tapas na cara

Tapas na cara são excelentes para eliminar certezas. O indivíduo está lá, todo convicto de sua estrada, gestando em si um bocado de verdades… Começa a se achar interessante; tocar um projetinho tímido; colocar um pé atrás do outro, numa frágil linha reta… Incauto! O cenário da segurança é o preferido da hospedeira. É porrada para todo lado.

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Sem reciprocidade, todo relacionamento vive à beira de um abismo

Sem reciprocidade, todo relacionamento vive à beira de um abismo

O amor, não há dúvida, é um combustível e tanto para a imaginação. Mas sonhar por sonhar é executável sozinho. É possível realizar mil feitos sem que haja alguém ao lado e, feliz, dividir a vitória com ninguém além de si. O problema é que não se pode sonhar pelo outro; não se podem responder cartas que o outro recebeu e sequer abriu; não se podem conjugar plurais por quem só pensa singular. Que me perdoem os jovens Verthers, mas amor platônico é um suplício.

Como são incríveis as pessoas que não conhecemos bem

Como são incríveis as pessoas que não conhecemos bem

Como são incríveis tantas pessoas que não conhecemos bem! Como são cultas, divertidas e sofisticadas! Como sabem ponderar as palavras, contornar as peripécias e enfrentar as trampolinices do dia a dia, tirando lições de moral de cada buraco enlameado cavado pelo destino. Incrível como deslizam entre trunfos e triunfos, sempre notáveis, vestindo suas vidas apropriadas e absolutamente adequadas.

Ridículo mesmo não é ter asas, é o medo de parecer ridículo aos olhos de quem não sabe voar

Ridículo mesmo não é ter asas, é o medo de parecer ridículo aos olhos de quem não sabe voar

Ser humano adora um dilema existencial. Desde que se meteu a filosofar, descobriu não saber muito bem quem é, de onde vem, aonde vai nem o que quer. Anda em bando para garantir a sobrevivência e se sentir identificado, mas não aceita a ideia de ser igual a todo mundo. Procura exclusividade, mas não ao ponto de se tornar ridículo. Quer ser único, mas apenas até se tornar interessante.

Se você escolheu fantasiar a vida, não ache ruim quando a verdade atropelar como um trator

Se você escolheu fantasiar a vida, não ache ruim quando a verdade atropelar como um trator

Quando se é criança, existem fantasias sobre monstros, bruxas, amigos invisíveis, diálogos curiosos e uma série de inverdades que, de uma ou outra forma, ajudam a interpretar a realidade. A idade vai chegando e inocentemente a crença em que a racionalidade a substitua. Que incauto! A fantasia troca de roupa e de nome: vai-se tornando polida e discreta, mas sua presença continua firme na vida adulta. Não dá para evitar, faz parte de nós.

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Insegurança e carência: os ingredientes secretos que estragam a vida de solteiro, a vida de casado e a vida de quem vive

Insegurança e carência: os ingredientes secretos que estragam a vida de solteiro, a vida de casado e a vida de quem vive

Quando penso em insegurança e carência, logo me vêm à mente textos e vídeos de autoajuda com o passo a passo para restaurar a própria estima, valorizar-se mais, superar os medos e esse bocado de coisas impossíveis de se ensinar como se fossem matérias de escola, mas que movimentam bilhões no mercado da exploração psicológica. Quem padece desses achaques se parece mais ou menos com um gato desguarnecido, cujos olhos saltam das órbitas pedindo atenção e temendo qualquer nuvem que não seja cor-de-rosa: presas fáceis das linhas de um mercado maquiavélico.