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Vencedor do Emmy de ator em série dramática por “The Crown”, Josh O’Connor protagoniza “The Mastermind”, de Kelly Reichardt. O filme disputou a Palma de Ouro em Cannes em 2025 e está na MUBI, trazendo uma perspectiva pouco triunfal sobre a ambição de um ladrão de arte.

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The Mastermind (2025)

O prêmio de O’Connor veio em 2021, por interpretar o príncipe Charles. Em “The Mastermind”, o ator encontra um personagem distante da autoridade associada à realeza: JB Mooney, um homem sem rumo que acredita poder reorganizar a vida por meio de um roubo. A mudança de registro é um bom motivo para acompanhar um intérprete fora do trabalho que o tornou conhecido de tanta gente.

A história se passa em Massachusetts, por volta de 1970. Desempregado, Mooney planeja roubar obras de um museu. O plano parece oferecer uma saída para a estagnação, mas obter os quadros é apenas parte do problema. O que vem depois do assalto coloca a promessa de dinheiro fácil em confronto com dificuldades para as quais ele está pouco preparado.

Reichardt, que assina direção e roteiro, aproxima o filme de crime de sua atenção habitual a deslocamentos, trabalho e precariedade. A expectativa de acompanhar uma operação brilhante encontra um protagonista cujo desejo de se considerar excepcional é maior do que sua capacidade de controlar as circunstâncias. O título ganha, assim, uma ironia que ajuda a orientar a sessão.

Esse ponto de partida interessa porque retira o roubo do território da fantasia de competência. Planejar um golpe pode parecer uma forma de escapar das obrigações comuns; lidar com seus efeitos exige justamente a responsabilidade que o atalho prometia dispensar. O contexto americano dos anos 1970 acrescenta outra escala ao personagem: enquanto o país atravessa conflitos políticos, ele concentra sua energia em uma solução estritamente pessoal.

Alana Haim, John Magaro, Hope Davis e Bill Camp integram o elenco. Na MUBI, “The Mastermind” combina melhor com quem aceita um filme de assalto interessado nas consequências e na deriva de seu protagonista. A passagem pela competição de Cannes indica o espaço em que a obra circulou; a presença de O’Connor oferece uma entrada familiar para conhecer o olhar de Reichardt.

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