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As irmãs gêmeas Joséphine e Gabrielle Sanz protagonizam “Pequena Mamãe”, de Céline Sciamma. Em apenas 72 minutos, o filme aproxima infância, luto e a vontade de compreender os pais. Disponível no Prime Video e na HBO Max, é uma fantasia feita de encontros muito íntimos.

Bula StreamingPrime Video e HBO Max

Pequena Mamãe (2021)

Após a morte da avó, Nelly acompanha os pais na tarefa de esvaziar a casa em que sua mãe cresceu. Enquanto os adultos lidam com os objetos e com a perda, a menina explora os arredores. Na floresta, encontra Marion, uma criança de sua idade que constrói uma cabana. A amizade nasce de uma atividade compartilhada e conduz a uma aproximação inesperada com a história de sua família. O filme permite descobrir essa relação no ritmo das próprias meninas.

Céline Sciamma concentra a fantasia em gestos acessíveis: brincar, preparar comida, conversar, caminhar entre as árvores. A simplicidade dá espaço a uma experiência emocional complexa. Uma criança conhece os pais principalmente a partir dos papéis que eles desempenham dentro de casa. Imaginar que essas pessoas também tiveram medos, brincadeiras e dúvidas altera a distância entre as gerações. O roteiro encontra uma forma delicada de aproximá-las sem exigir longas explicações sobre as regras do encontro.

Joséphine e Gabrielle Sanz são irmãs gêmeas na vida real. A familiaridade entre elas contribui para a igualdade da relação: nenhuma precisa assumir a posição de adulta para que a outra seja escutada. Os diálogos preservam a franqueza infantil e deixam espaço para perguntas difíceis. Nina Meurisse, como a mãe de Nelly, ajuda a dar peso à tristeza que cerca a casa, embora a narrativa permaneça atenta à curiosidade da filha e à vitalidade da nova amizade.

A duração de 72 minutos combina com a concentração da proposta. Há poucos lugares e personagens, mas cada aproximação modifica o significado do que já foi visto. A indicação interessa a quem aprecia histórias sobre vínculos familiares e a possibilidade de compreender uma pessoa para além da função que ela ocupa em nossa vida. É também um filme sobre o luto, com momentos de ternura que convivem com a ausência. Vale reservar atenção para sua escala discreta, na qual uma conversa pode carregar o peso de muitos anos.

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