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Em “A Vida Depois de Yang”, Colin Farrell interpreta um pai que tenta consertar o androide ligado à sua filha. Premiado em Sundance, o filme de Kogonada usa a ficção científica para falar de memória e afeto. Está no Universal+ via Prime Video, com assinatura adicional.

A Vida Depois de Yang (2021)

Jake e Kyra criam a filha adotiva Mika com a companhia de Yang, um androide concebido para ajudá-la a manter contato com sua herança cultural chinesa. Quando ele para de funcionar, o pai procura uma solução técnica para devolver a rotina à família. A tentativa de reparo revela aspectos da experiência de Yang que Jake desconhecia. O problema doméstico passa a envolver uma pergunta mais difícil: quanto se sabe sobre alguém que esteve presente todos os dias?

Kogonada situa essa investigação num futuro reconhecível pelos hábitos, pelas casas e pelo cuidado com pequenos objetos. A tecnologia participa da vida familiar sem exigir que cada cena explique suas regras. O que importa é a mudança de atenção do pai. Ao tentar recuperar Yang, ele começa a perceber relações que haviam acontecido diante dele e às quais não dedicara tempo. A curiosidade inicial ganha um peso afetivo que o conserto de uma máquina, em tese, não deveria ter.

Colin Farrell oferece um ponto de apoio humano para a proposta, cercado pelas presenças de Jodie Turner-Smith, Justin H. Min e Malea Emma Tjandrawidjaja. O filme trata a família como um conjunto de experiências parcialmente inacessíveis umas às outras. Cada pessoa convive com lembranças, vínculos e necessidades que o restante da casa pode não conhecer. A própria posição de Yang torna mais delicada a fronteira entre função, companhia e pertencimento.

O ritmo contemplativo convida a observar, e a duração de 96 minutos mantém a investigação concentrada. É uma boa escolha para quem se interessa pelas possibilidades emocionais da ficção científica: identidade, memória, adoção e a dificuldade de reconhecer a importância de uma presença antes de sua ausência. Convém assistir com espaço para as pausas. O acesso no Brasil está associado ao canal Universal+ dentro do Prime Video e requer a assinatura adicional desse serviço.

Um prêmio para ciência e cinemaO longa recebeu o Alfred P. Sloan Feature Film Prize no Festival de Sundance de 2022. Sua primeira apresentação ocorreu em Cannes, em 2021.

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