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Em 1998, Sloane Price (Olivia Holt) se refugia numa escola com outros quatro adolescentes para escapar de um surto de zumbis. As ruas se tornaram perigosas, mas a jovem já conhecia o medo antes de os mortos começarem a atacar. Filha de um pai abusivo (Jeff Roop), ela depende do apoio da irmã, Lilly (Joelle Farrow), de quem espera notícias enquanto permanece abrigada. Em “Isto Não É um Teste”, dirigido e escrito por Adam MacDonald, sobreviver exige confiar em colegas que também estão assustados e têm pouco a oferecer além da própria companhia.

Adaptado do livro de Courtney Summers, o longa reúne terror e drama adolescente numa situação que tem potencial. Um colégio pode proteger os estudantes dos ataques, mas não oferece distância suficiente para que cada um lide sozinho com seus problemas. Eles precisam compartilhar o espaço, tomar decisões e aceitar ajuda de pessoas com quem talvez mal conversassem antes. MacDonald se interessa por essa convivência, embora nem sempre consiga dar aos personagens a personalidade necessária para sustentar tanto tempo de conversa.

Um abrigo cheio de desconfianças

A presença do professor Baxter (Luke Macfarlane), também encontrado no prédio, acrescenta desconforto ao confinamento. Ser o adulto do grupo não lhe garante a confiança dos demais. Seu comportamento desperta suspeitas, e os estudantes passam a observar quem está dentro da escola com uma atenção semelhante à dedicada ao perigo nas ruas. A proteção oferecida pelo colégio fica, portanto, sujeita às relações entre seus ocupantes.

Entre os adolescentes estão Cary (Corteon Moore), identificado com o perfil do atleta, e Trace (Carson MacCormac), que demonstra maior fragilidade emocional. Os atores procuram diferenciar suas reações, mas recebem poucas características além dessas apresentações iniciais. Quando os colegas começam a falar de suas perdas, o roteiro aposta em relatos extensos sem antes construir intimidade suficiente com cada um. Conhecemos o sofrimento deles mais pelo que dizem do que pela maneira como agem.

Isso prejudica o suspense. Para que uma discussão sobre confiança provoque apreensão, é preciso ter alguma ideia de quem pode ceder, mentir ou agir por impulso. Aqui, boa parte dessas diferenças permanece pouco desenvolvida. Os desentendimentos ocupam tempo, mas nem sempre acrescentam algo à compreensão de quem está preso naquela escola.

A espera por notícias da irmã

Sloane tem a história mais sensível do grupo. Lilly era seu apoio diante da violência paterna, e a impossibilidade de falar com ela deixa a adolescente sem a pessoa em quem mais confiava. Com as linhas telefônicas fora de serviço, esperar se torna uma experiência angustiante. A jovem não sabe onde a irmã está, tampouco dispõe de condições seguras para sair à sua procura.

Olivia Holt trabalha bem essa combinação de medo, ressentimento e desamparo. A atriz consegue dar algum peso a uma personagem que o roteiro frequentemente mantém dependente das relações familiares. Quando Lilly recomenda que enfrentem um dia de cada vez, o conselho revela a dimensão do sofrimento doméstico. Antes da catástrofe, as duas já precisavam pensar em maneiras de atravessar o dia.

MacDonald poderia dedicar mais atenção a esse vínculo. A irmã ocupa um lugar importante na vida da protagonista, mas a relação recebe pouco espaço para que sua ausência tenha toda a força pretendida. Holt precisa preencher essas lacunas com a expressão e a voz. É um esforço perceptível, sobretudo quando as falas insistem em explicar sentimentos que a atuação já havia comunicado.

Uma aproximação pouco espontânea

Rhys (Froy Gutierrez) procura se aproximar de Sloane e oferece a possibilidade de algum acolhimento durante o confinamento. Ele já a conhecia da escola e demonstra um interesse anterior ao surto. Para ela, porém, aquela familiaridade chega sem o mesmo histórico de convivência. Existe aí uma boa oportunidade para trabalhar o constrangimento entre dois jovens obrigados a se conhecer em circunstâncias terríveis.

Os diálogos atrapalham. Rhys fala de suas lembranças da colega de uma maneira pouco espontânea, e a aproximação perde parte da delicadeza que poderia ter. Gutierrez tenta tornar o rapaz atencioso, mas o personagem recebe poucos detalhes que sustentem esse interesse. Mesmo quando assuntos dolorosos de sua família entram na conversa, falta preparação para que a revelação tenha o peso esperado.

Uma pausa para brincar de “Eu Nunca” resume as possibilidades e os problemas dessa convivência. Os adolescentes bebem ao reconhecer experiências pelas quais já passaram, até que o assunto de estar apaixonado deixa todos em silêncio. A cena lembra que aqueles sobreviventes ainda têm muita coisa por viver. Ainda assim, a reação coletiva parece arrumada demais, com pouco espaço para respostas que distingam um participante do outro.

Os mortos voltam a interromper

Quando os zumbis atacam, os estudantes precisam suspender as conversas e cuidar da própria sobrevivência. Essas passagens deveriam tornar mais urgente tudo o que acontece no abrigo. A câmera agitada, entretanto, dificulta acompanhar os movimentos e reconhecer a distância entre os jovens e seus perseguidores. Há correria, mas faltam referências para que o espectador acompanhe o perigo com precisão.

A iluminação baixa também compromete alguns encontros entre os personagens. Num terror tão interessado em sofrimento e desconfiança, acompanhar um olhar ou uma hesitação faria diferença. MacDonald acaba recorrendo com frequência a falas enfáticas, lágrimas e gritos para dar intensidade às relações. O elenco se empenha, mas a repetição desgasta cenas que pediam maior variedade de reações.

“Isto Não É um Teste” tem uma protagonista que merece atenção e uma situação capaz de aproximar o horror das inseguranças da adolescência. O final fica aquém dessa possibilidade porque os colegas de Sloane falam muito e ganham pouca individualidade. Holt sustenta o interesse na espera pela irmã, enquanto os demais tentam tornar convincentes diálogos rígidos. Entre ataques e discussões, a jovem continua abrigada com pessoas que mal conhece, sem conseguir contato com quem antes a protegia.


Filme: Isto Não é um Teste
Diretor: Adam MacDonald
Ano: 2025
Gênero: Suspense/Terror
Avaliação: 3.5/5 1 1
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