Vencedor da Palma de Ouro por “Assunto de Família”, Hirokazu Kore-eda escreveu, dirigiu e montou “Asura”. A série de sete episódios da Netflix reúne quatro atrizes japonesas em uma história que encontra conflitos profundos dentro de conversas e encontros familiares.
Asura (2025)
O nome de Hirokazu Kore-eda já oferece uma boa razão para abrir esta série. Vencedor da Palma de Ouro de 2018 com “Assunto de Família”, o cineasta japonês volta a examinar relações que parecem estáveis até serem obrigadas a acomodar uma informação inconveniente. Aqui, ele retoma uma obra televisiva de Kuniko Mukoda e preserva a ambientação em 1979, um detalhe que participa das expectativas depositadas sobre cada mulher.
As quatro irmãs Takezawa se reúnem quando uma delas suspeita que o pai mantém outra relação e tem um filho fora do casamento. A notícia afeta as filhas de maneiras diferentes. Antes mesmo de saberem como agir, precisam decidir o que contar à mãe. O segredo passa a circular dentro da família, encontrando outras experiências de amor, casamento, independência e frustração.
Rie Miyazawa, Machiko Ono, Yu Aoi e Suzu Hirose interpretam mulheres que dividem uma origem, mas construíram vidas distintas. Essa diferença impede que a descoberta produza uma reação uniforme. Uma pode reconhecer no comportamento do pai algo que a outra condena; a disposição para proteger a mãe também pode esconder o desejo de preservar uma rotina. O interesse está justamente nessa convivência entre afeto e julgamentos pouco generosos.
A adaptação dá ao espectador um motivo para prestar atenção a conversas aparentemente pequenas. Uma pergunta sobre a vida alheia pode funcionar como acusação; um conselho pode revelar mais sobre quem fala do que sobre quem o recebe. É um terreno especialmente fértil para o cinema de Kore-eda, interessado nas obrigações e contradições dos vínculos familiares. Com sete episódios disponíveis na Netflix, a série oferece espaço para acompanhar essas quatro perspectivas sem transformar a família em um conjunto de respostas prontas.

