Antes de virar uma minissérie da Netflix, “Missa da Meia-Noite” passou anos entre tentativas de romance e roteiro. Mike Flanagan começou a escrever a história em 2010. O resultado são sete episódios de terror sobre uma ilha onde milagres trazem perguntas incômodas.
Missa da Meia-Noite (2021)
Riley Flynn volta à pequena ilha onde cresceu depois de cumprir pena, carregando uma culpa que não desaparece com a liberdade. Sua chegada coincide com a de um novo padre, cuja presença desperta o interesse de uma comunidade acostumada às mesmas rotinas. Quando acontecimentos extraordinários parecem devolver esperança aos moradores, a promessa de renovação ganha força. Mas aceitar uma explicação reconfortante não elimina aquilo que permanece estranho, nem torna inofensivas as decisões tomadas em nome da fé.
O ponto de partida pede um tipo particular de disposição. Em vez de procurar apenas a próxima aparição, vale prestar atenção ao que cada pessoa deseja ouvir. Perdão, cura e pertencimento têm pesos diferentes para quem retorna marcado por um erro e para quem tenta manter uma comunidade unida. O terror religioso oferece, assim, uma pergunta que pode acompanhar a sessão: em que momento a necessidade de acreditar começa a substituir a capacidade de duvidar?
Zach Gilford interpreta Riley; Hamish Linklater assume o padre Paul. Kate Siegel e Samantha Sloyan completam o núcleo destacado da indicação. São personagens ligados por uma convivência estreita, num lugar de onde não se sai simplesmente atravessando a rua. A ilha interessa menos como cartão-postal do que como limite: os encontros se repetem, as versões circulam e cada mudança afeta pessoas que já têm uma história compartilhada.
Quem busca uma minissérie para acompanhar até o encerramento encontra sete capítulos, todos com aproximadamente uma hora ou mais. É um compromisso diferente de uma sequência de sustos curtos, e vale reservar atenção para os diálogos. A melhor maneira de chegar é sabendo pouco sobre a natureza dos acontecimentos. Basta a promessa inicial: um homem tentando conviver com o passado, um padre oferecendo respostas e uma comunidade disposta a acreditar que sua sorte finalmente mudou.
Uma história anterior à sérieEm ensaio publicado no Bloody Disgusting em 2021, Flanagan contou ter encontrado páginas de uma tentativa de romance datadas de 2010 e de um roteiro de longa-metragem de 2012. A história passou por diferentes formatos antes de encontrar seu lugar na televisão.

