Scott Frank, de “O Gambito da Rainha”, leva à Netflix outra história de obsessão. Em “Dept. Q”, Matthew Goode interpreta um policial encarregado de casos esquecidos. A primeira temporada tem nove episódios e adapta os livros do dinamarquês Jussi Adler-Olsen.
Dept. Q (2025)
Depois de sobreviver a um ataque, o detetive Carl Morck retorna ao trabalho em Edimburgo sem conseguir deixar a violência para trás. Sua nova função parece uma maneira de afastá-lo dos colegas: assumir um departamento dedicado a investigações arquivadas, instalado no porão da polícia. O posto reúne profissionais que a instituição não sabe onde acomodar. Quando um desaparecimento antigo ganha a atenção da equipe, aquilo que parecia um serviço burocrático se transforma numa investigação com consequências muito presentes.
A ligação com “O Gambito da Rainha” está nos bastidores, não numa tentativa de repetir a história de Beth Harmon. Scott Frank participa da criação ao lado de Chandni Lakhani, partindo dos romances policiais de Jussi Adler-Olsen. A adaptação desloca a ação da Dinamarca para a Escócia. Essa mudança oferece outra paisagem ao encontro entre um investigador difícil de suportar e pessoas que precisam trabalhar com ele, mesmo sem receber o prestígio reservado aos outros departamentos.
A boa porta de entrada é justamente esse grupo. Carl não chega como um mentor disposto a acolher todo mundo; precisa funcionar ao lado de colegas que também carregam experiências próprias. A indicação interessa a quem gosta de acompanhar tanto a montagem de uma equipe quanto a reconstrução de um crime. A pergunta não é apenas o que aconteceu no passado, mas quem terá paciência para examinar aquilo que os outros decidiram abandonar.
Vale começar pelo primeiro capítulo e acompanhar a ordem dos episódios. O recorte indicado aqui é a primeira temporada, com nove partes, e não uma coleção de casos independentes para escolher ao acaso. Também convém reservar tempo: a abertura passa de uma hora e o capítulo final chega a 71 minutos. Para quem procura um policial centrado em investigação e personagens, o porão oferece um ponto de partida mais interessante do que uma equipe de heróis infalíveis.
Dos livros para EdimburgoO departamento nasceu na ficção do escritor dinamarquês Jussi Adler-Olsen. A versão da Netflix muda o país da história; a origem literária não significa que o espectador precise conhecer os romances antes de começar.

