Que a humanidade perde-se — e deixa-se perder — nos anseios da salvação que não merece nós todos sabemos. O que não se sabe, pelo menos não com a necessária riqueza de detalhes, é de que forma poderemos resistir aos inimigos que nós mesmos embalamos, cada vez mais bravos, sedentos por tomar o que veem como seu, já que nosso futuro parece não nos interessar. “Romance Proibido” sai de uma ideia bastante específica para um apanhado geral acerca das humanas misérias, com ênfase no niilismo e no amor como remédio para o mal de fonte oculta. Especialista em histórias sobre infortúnio e redenção, David Mackenzie compõe um filme saboroso, juntando apuro estético a uma narrativa refinada, com espaço para suas habituais inovações e o bom e velho lirismo.
A delicadeza salvará o mundo
O apocalipse incita a curiosidade de qualquer um que perceba correr em suas veias ao menos uma gota de sangue que não tenha sido maculado pela indiferença. O dinamarquês Kim Fupz Aakeson ancora o roteiro numa longa digressão sobre a vida e seus intermináveis vaivéns, transformados por Mackenzie em sequências à primeira vista relaxantes, mas que guardam uma tensão. Michael e Susan estão na cama depois de uma noite de exaustivos folguedos amorosos no centro de Glasgow, mas ele quer que ela vá embora, porque não consegue dormir na companhia de ninguém. Esse mal-estar persiste, culminando no surto de uma tal síndrome olfativa severa, mas há um respiro. Ewan McGregor e Eva Green encarnam esse casal caótico dando uma pista quanto ao que se pode esperar: cura.

