Para tentar se entender a mente de um criminoso, recomenda-se procurar traços de humanidade em suas ações. Há diversas maneiras de se chegar ao íntimo de pessoas que muitas vezes já perderam os possíveis elos cívicos com o mundo exterior, restando no fundo uma personalidade doentia, ávida por reparações que têm mais loucura que justiça. Só o altruísmo mais inesperado e sincero pode de reaproximar o facínora de sua condição humana, ideia trabalhada por Reggie Currelley em “Ladrão que Rouba Ladrão”, thriller com viradas e afeto. Dono de uma sólida carreira de ator, Currelley volta a arriscar-se na direção, na tentativa de replicar o bom desempenho de “The Hit” (2022). Oitenta e sete minutos são o bastante para ele.
Referências com originalidade
Currelley é mais um realizador a colocar por terra o axioma de que orçamentos modestos e boas histórias não se cruzam. Seu roteiro, coescrito com Marcus Folmar, segue, sim, alguns pontos mais formulaicos, saindo depressa do previsível já na introdução. Tarimbado, o diretor encarna ele mesmo James, o protagonista, um malandro pé de chinelo que especializa-se em invadir residências em bairros nobres, mas nunca consegue dar um tiro certeiro e vai envelhecendo sem nenhuma grande perspectiva. Ainda que use óbvias referências como “Fogo Contra Fogo” (1995), o clássico de Michael Mann, “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (2007), levado à tela por Sidney Lumet (1924-2011), ou “O Homem nas Trevas” (2016), de Fede Alvarez, Currelley atinge resultado tão coeso quanto original, fincado na parceria com o veterano Dermot Mulroney ou a aspirante a estrela Raina Grey. O público fica tonto. E feliz.

