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O crime explode como nunca no século 21, mas formas de barbárie como as registradas em “15 Minutos” permanecem a salvo das estatísticas. O ser humano, a mais desditada das espécies, caminha a passos largos para a irrelevância, graças ao menoscabo com sua própria natureza, a uma ganância sem limites e, evidentemente, ao pendor irrefreável de conseguir vantagem em tudo, sobre todos. Expedientes os mais refinados tornam-se o meio de vida de sujeitos que não hesitam em matar ou morrer, e esse círculo vicioso agrava-se quando surge alguém disposto a encarnar um heroísmo janota que sacrifica o bom-senso. John Herzfeld elabora essas ideias num thriller que junta caos e humor, além de figuras que reforçam a essência tragicômica da vida.

O calor da rua

Girando sobre o eixo da necessidade da fundação de um mundo melhor, enredos distópicos vão se desdobrando de forma a tornar cada vez mais humilhante para o público a certeza de que o homem é o lobo do homem. Herzfeld esmiúça ao máximo o nonsense de seu roteiro, até atingir a distopia que há nele, e aí o tom assumidamente farsesco da história chega aos olhos e ao coração de quem assiste como uma verdade inescapável, goste-se ou não. Manhattan parece estar colapsando diante de uma bandidagem atrevida, e como se não fosse suficiente a malta de assaltantes e golpistas, chegam Oleg Razgul e Emil Slovak, um russo e um checo. Cabe ao detetive-celebridade Edward Burns combatê-los, e muito da graça de “15 Minutos” deve-se a Robert De Niro, que aqui faz uma reflexão sobre glória e fracasso. Certeira.


Filme: 15 Minutos
Diretor: John Herzfeld
Ano: 2001
Gênero: Ação/Drama/Suspense/Thriller
Avaliação: 4.5/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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