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Meninos grandes, cujo aspecto ingênuo discrepa de seu potencial ofensivo, sempre conseguiram instilar no público sentimentos muito controversos. Pran parece um garoto aprisionado numa carcaça de homem, meio larga demais, como alguém que veste uma roupa que não lhe pertence. Seu lado mais humano reveste-se de uma nuvem de terror, como mostra Taweewat Wantha em “Meu Querido Assassino” numa espiral de cenas rápidas conduzidas com todo o rigor estético. Wantha e a roteirista Watthana Veerayawattana esmiúçam a alma desse sujeito misterioso valendo-se de uma figura que passa a orbitar seu universo meio por acaso, até perceber que depende de algo mais que seu afeto para continuar viva.

Gosto de sangue

Ninguém sabe bem por que o amor começa, mas qualquer um é capaz de vislumbrar mil circunstâncias em que ele degenera em caos. Nesse cenário, a vida se nos apresenta da maneira como cada um pode suportá-la, surgindo daí as provações que põem a descoberto a real natureza dos indivíduos. Wantha faz de seu filme uma espécie de anime para jovens adultos empenhado em achar o tom certo para falar de amor onde grassa a violência. Marca do cinema tailandês, esse exotismo serve a reflexões nada óbvias, todas em alguma medida fundadas na ideia de que o amor é uma fonte perene de caos. Tor Thanapob Leeratanakachorn e Pimchanok Luevisadpaibul encarnam esse sentimento maldito que alimenta-se de sangue, numa imagem antirromântica bem literal.


Filme: Meu Querido Assassino 
Diretor: Taweewat Wantha
Ano: 2026
Gênero: Ficção Científica/Romance/Suspense/Thriller
Avaliação: 4.5/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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