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Clint Eastwood continua a ser uma das poucas unanimidades do cinema. Ninguém melhor que Eastwood encarnou a alma do faroeste, deixando na poeira os super-heróis que os estúdios criam em escala industrial, e o que se vê em “A Marca da Forca” é mais um dos tantos shows de interpretação de um ator começando a consolidar seu talento numa categoria que não só caiu no gosto do público como também foi de grande ajuda quanto a moldar a produção cinematográfica e a própria identidade cultural americana, projetando-se como um emblema de grande vigor artístico. Oscilando entre o bom-mocismo e a vilania do astro, Ted Post (1918-2013) busca inspiração no Sergio Leone (1929-1989) da trilogia da fortuna, composta por “Por Um Punhado de Dólares” (1964) — que por sua vez deve muito de seu apelo pop à adaptação de “Yojimbo” (1961), levado à tela por Akira Kurosawa (1910-1998) —, “Por uns Dólares a Mais” (1965), e “Três Homens em Conflito” (1966). E chega a algo não exatamente original, mas que não deixa de oferecer gratas surpresas.

Velhos tempos 

O western foi capaz de reinventar-se, seguindo de perto transformações políticas e estéticas e tornando-se referência obrigatória para qualquer estudo sobre a evolução do cinema, a exemplo do que se tem em “Ataque dos Cães” (2021), dirigido por Jane Campion; “Relatos do Mundo” (2021), a cargo de Paul Greengrass; “Retorno da Lenda” (2021), de Potsy Ponciroli; “Vingança e Castigo” (2021), de Jeymes Samuel; “A Balada de Buster Scruggs” (2018), de Ethan e Joel Coen; ou “Os Oito Odiados” (2015), de Quentin Tarantino. Entretanto, a aposta nos chavões dos velhos tempos feita pelos roteiristas Leonard Freeman (1920-1974) e Mel Goldberg (1922-2015) descortina a aurora de uma classe de indivíduos que, levados pela cólera e pela fome de reparação, instituem grupos de vingadores, alvo de louvor e repúdio. Jedidiah Connor tornou-se delegado de Fort Grant, uma cidade fictícia do Arkansas, mas Freeman e Goldberg mostram que sua jornada não foi nenhum mar de rosas. Na Oklahoma de 1873, Jed tenta levar o rebanho que comprara de um certo Johanson, mas é interpelado pelo Capitão Wilson de Ed Begley (1901-1970), e então o filme começa. O que se vê é uma sequência de horrores em gradações várias, culminando na cena a que o título alude. Eastwood dá uma mais uma prova quanto à dificuldade de se pregar rótulos em quem quer que seja. Ele sempre consegue.


Filme: A Marca da Forca
Diretor: Ted Post
Ano: 1968
Gênero: Ação/Faroeste
Avaliação: 4.5/5 1 1
Giancarlo Galdino

Depois de sonhos frustrados com uma carreira de correspondente de guerra à Winston Churchill e Ernest Hemingway, Giancarlo Galdino aceitou o limão da vida e por quinze anos trabalhou com o azedume da assessoria de políticos e burocratas em geral. Graduado em jornalismo e com alguns cursos de especialização em cinema na bagagem, desde 1º de junho de 2021, entretanto, consegue valer-se deste espaço para expressar seus conhecimentos sobre filmes, literatura, comportamento e, por que não?, política, tudo mediado por sua grande paixão, a filosofia, a ciência das ciências. Que Deus conserve.

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