Em 2018, o diretor Mitch Gould levou às telas “Máquinas Assassinas”, um filme de ação e ficção científica que acompanha um grupo de mercenários enviado a uma missão na Rússia que rapidamente sai do controle, e revela interesses militares bem mais obscuros do que o combinado. A história começa com Rekker, interpretado por Louis Mandylor, liderando uma equipe típica desse tipo de operação: gente eficiente, pouco questionadora e acostumada a resolver problemas com rapidez.
Ao lado dele estão figuras que cumprem funções bem definidas, como o brutamontes Grigori (Oleg Taktarov), a atiradora Valkyrie e o especialista em artes marciais Shiro (Dan Southworth). Logo na primeira missão, em Moscou, o grupo precisa invadir uma propriedade fortemente protegida para resgatar um herdeiro político. Eles entram, executam o plano e saem com sucesso, o tipo de trabalho que reforça a reputação da equipe e garante novos contratos.
Esse início ajuda a estabelecer o tom. São profissionais que não perguntam muito, apenas fazem. E fazem bem. O problema é que, nesse universo, eficiência demais também chama atenção.
Nova missão
Após a missão, Rekker é procurado por Karl Kess, vivido por Michael Paré, um comerciante de armas que se vende como patriota, mas claramente joga em mais de um lado. Ele propõe um novo trabalho: recuperar um carregamento de armas em Chernobyl. A tarefa parece simples, quase rotineira, o que já acende um pequeno alerta, quando parece fácil demais, raramente é.
Para complicar, a CIA decide acompanhar a missão de perto e envia uma observadora, Alexandra Hayes, interpretada por Dominique Swain. Hayes não confia em Rekker. Ela chega com um relatório nas mãos que o descreve como traidor, e isso cria um clima desconfortável desde o início. Ele, por sua vez, não tem paciência para burocracia nem para julgamentos baseados em papelada.
Essa tensão interna é um dos pontos mais interessantes do filme, porque interfere diretamente nas decisões em campo. Não é só uma equipe contra o perigo externo; é um grupo tentando operar enquanto resolve desconfianças internas.
Quando chegam ao local indicado, em Chernobyl, a situação muda completamente. O armazém que deveria estar cheio de armas está vazio. No lugar, aparecem duas criaturas bio-sintéticas programadas para combate. Não há negociação, não há aviso: apenas ataque.
Armadilha
É nesse momento que a missão revela sua verdadeira natureza. Rekker e sua equipe foram usados como cobaias em um teste militar. Kess não queria recuperar nada, ele queria demonstrar o poder de suas máquinas. E, pior, há gente importante assistindo tudo à distância, avaliando desempenho como se fosse um experimento controlado.
A reação da equipe é imediata. Mesmo pegos de surpresa, eles se reorganizam e enfrentam as criaturas. O combate é direto, físico, sem muito espaço para estratégia elaborada. É sobreviver ou cair ali mesmo. Eles conseguem derrubar os primeiros inimigos, o que traz um alívio momentâneo, mas também deixa claro que aquilo era só o começo.
Hayes, que até então mantinha distância, percebe que também foi enganada. A agente que chegou para observar agora precisa agir. Aos poucos, ela deixa de lado a desconfiança inicial e passa a colaborar com Rekker. Não por afinidade, mas por necessidade. Quando o risco é real, diferenças ficam em segundo plano.
Sobrevivência
O filme cresce nessa virada. A equipe deixa de ser apenas executora e passa a reagir ao sistema que tentou descartá-la. E Rekker, que parecia apenas mais um líder de mercenários, mostra um lado mais estratégico. Ele entende que ficar na defensiva não vai resolver. É preciso avançar, pressionar, virar o jogo.
Quando novas máquinas entram em ação, em maior número, a situação escala rapidamente. O confronto se intensifica e ganha um ritmo quase contínuo, lembrando videogames, com ondas de inimigos e respostas rápidas. Não há muito tempo para respirar, e isso funciona bem dentro da proposta do filme.
Um detalhe que chama atenção é a escolha de não tentar colocar um romance entre Rekker e Hayes. Seria o caminho mais fácil, mas o roteiro evita essa distração. A relação deles permanece profissional, baseada em desconfiança que vira cooperação. E isso ajuda a manter o foco na ação.
“Máquinas Assassinas” não tem o mesmo peso de grandes produções do gênero, nem um elenco cheio de estrelas. Mas compensa com ritmo e clareza. Sabe o que quer entregar e não perde tempo tentando parecer algo que não é. É um filme direto, que aposta na ação constante e em um conflito simples, mas funcional: homens contra máquinas, com interesses maiores operando nos bastidores.
O enredo deixa a sensação de que a história poderia continuar, porque deixa pontas abertas de forma natural. A ameaça não desaparece completamente, e os personagens seguem vivos para justificar novos desdobramentos.

