Autor: Fernanda Santos

Os 3 filmes mais tristes da Netflix para chorar até encharcar o travesseiro Zade Rosenthal / Columbia Pictures

Os 3 filmes mais tristes da Netflix para chorar até encharcar o travesseiro

Se seu estado emocional anda mais instável que Wi-Fi de repartição pública e você sente que a vida já te deu mais tapas que sambista em pandeiro, a Revista Bula te entrega agora uma lista para acabar de vez com o restinho de sanidade que sobrou. Não estamos falando de chorinho discreto! Aqui, o soluço é alto, o lenço de papel fica encharcado e não falta aquela clássica dúvida existencial no fim do filme: “por que, meu Deus?” — mesmo quando nada do que acontece no roteiro tem a ver com a sua vida.

Dê férias para sua cabeça: comédia romântica com Angelina Jolie, na Netflix, é programa perfeito para relaxar Divulgação / New Regency Productions

Dê férias para sua cabeça: comédia romântica com Angelina Jolie, na Netflix, é programa perfeito para relaxar

O que poderia ser apenas mais um exemplar de dramaturgia sobre o vazio de vidas excessivamente roteirizadas torna-se, por instantes, um espelho incômodo — ainda que fosco — das concessões que fazemos diariamente para não confrontar a finitude. Mas o filme evita a vertigem. Prefere o amortecimento da crise à exploração da queda. Ao invés de encarar as implicações brutais da sentença de morte anunciada, ele opta por pintá-la com as tintas suaves da transformação superficial: uma mudança de guarda-roupa, um gesto impulsivo, um beijo em horário nobre.

Acaba de chegar na Netflix: tesouro de Almodóvar com Tilda Swinton e Julianne Moore Divulgação / Crea SGR

Acaba de chegar na Netflix: tesouro de Almodóvar com Tilda Swinton e Julianne Moore

Pedro Almodóvar, mestre da excentricidade e da emotividade exuberante, experimenta um salto arriscado em “O Quarto ao Lado” ao optar por um idioma que lhe é estranho. O inglês, escolhido como meio de expressão integral pela primeira vez em sua carreira, impõe um filtro inusitado sobre sua linguagem cinematográfica: aquilo que antes era fluidez visceral se torna, aqui, uma formalidade controlada.

Vencedor do Oscar, filme do mesmo diretor de “Não Olhe Para Cima”, com Christian Bale e Brad Pitt, está na Netflix Jaap Buitendijk / Paramount Pictures

Vencedor do Oscar, filme do mesmo diretor de “Não Olhe Para Cima”, com Christian Bale e Brad Pitt, está na Netflix

Há filmes que não apenas incomodam — eles escancaram. “A Grande Aposta”, dirigido por Adam McKay, não opta pelo caminho da denúncia comedida nem pelo conforto de uma reconstrução histórica isenta; o que se vê na tela é uma colisão frontal entre forma e conteúdo, onde a linguagem da sátira, do absurdo e da ironia serve como veículo para revelar o colapso ético de um sistema travestido de racionalidade econômica. O longa não deseja simplesmente contar o que aconteceu em 2008. Ele quer que o espectador entenda por que aconteceu — e, mais perturbador ainda, por que nada foi feito para evitar que se repetisse.

O filme genial com Christian Bale, Brad Pitt e Ryan Gosling, que todo mundo deveria assistir ao menos uma vez na vida — na Netflix Jaap Buitendijk / Paramount Pictures

O filme genial com Christian Bale, Brad Pitt e Ryan Gosling, que todo mundo deveria assistir ao menos uma vez na vida — na Netflix

Há momentos em que o cinema se torna uma ferramenta de dissidência, um meio de rasgar o verniz das narrativas oficiais e expor a engrenagem oculta dos grandes eventos históricos. “A Grande Aposta” faz exatamente isso ao transformar a crise financeira de 2008 em uma dissecação ácida da imprudência e ganância sistêmicas que conduziram ao colapso global. Longe de ser um relato burocrático, o filme conduz o espectador por um labirinto de manipulações, explorações e conivências que permitiram que o desastre fosse não apenas previsível, mas inevitável.