Uma cidade conhecida pela arquitetura modernista aproxima duas pessoas que não sabem como partir. Na MUBI, “Columbus” reúne John Cho e Haley Lu Richardson em um drama de conversas e silêncios, dirigido por Kogonada e indicado ao Independent Spirit.
Columbus (2017)
Jin chega a Columbus, no estado norte-americano de Indiana, depois que seu pai, um estudioso da arquitetura, é hospitalizado. Durante a espera, conhece Casey, uma jovem que trabalha em uma biblioteca e tem grande interesse pelos edifícios da cidade. Ela gostaria de ampliar seus estudos, mas se preocupa em deixar a mãe. Ele precisa permanecer perto de um pai com quem mantém uma relação difícil.
As caminhadas dos dois dão ao filme uma forma simples e precisa. Casey apresenta construções que conhece e explica o que encontra nelas; Jin ouve, pergunta e aos poucos participa da conversa. A arquitetura deixa de ser apenas assunto para se tornar uma maneira de falar sobre escolhas pessoais, sobre o que acolhe alguém e sobre o que também pode mantê-lo imóvel.
Kogonada organiza os espaços com atenção às distâncias. Portas, vidraças, corredores e fachadas situam os personagens dentro de desenhos que parecem mais estáveis do que suas vidas. A beleza dos enquadramentos convive com conflitos concretos, especialmente a culpa de desejar sair e o ressentimento de precisar ficar. A observação paciente permite que essas questões apareçam sem exigir uma confissão a cada encontro.
John Cho e Haley Lu Richardson sustentam uma proximidade feita de curiosidade e respeito. O filme pede um ritmo de atenção tranquilo, no qual uma pausa ou uma mudança de posição pode importar tanto quanto uma fala. É uma boa descoberta para quem aprecia histórias de encontros capazes de alterar a maneira de olhar para um lugar conhecido. Ao final de cada passeio, a cidade continua a mesma, mas as possibilidades que ela sugere já parecem outras.
Primeiro longaA estreia de Kogonada na direção de longas foi indicada ao Independent Spirit de 2018 nas categorias de primeiro filme e primeiro roteiro. O reconhecimento ajuda a situar uma obra construída com poucos personagens e grande atenção à forma.

