Discover

A compositora de “Chernobyl” foi a uma usina nuclear desativada para recolher os sons que alimentariam a trilha. Esse detalhe ajuda a explicar a tensão da minissérie da HBO Max: cinco episódios que conquistaram dez Emmys em 2019, incluindo o prêmio de música.

Bula StreamingHBO Max

Chernobyl (2019)

Hildur Guðnadóttir visitou a usina de Ignalina, na Lituânia, com o responsável pelas gravações Chris Watson e o produtor musical Sam Slater. Em entrevista à BMI, explicou que chegou sem música previamente escrita: queria ouvir o lugar antes de compor. As horas de sons captados ali se tornaram matéria-prima da trilha. A decisão aproxima a música das máquinas e dos ambientes industriais que cercam a história, em vez de apenas acompanhar a ação de fora.

Na madrugada de 26 de abril de 1986, uma explosão na usina de Chernobyl coloca trabalhadores, bombeiros e moradores diante de uma ameaça cuja dimensão ainda desconhecem. O cientista Valery Legasov é convocado para ajudar a enfrentar a crise, enquanto autoridades tentam controlar tanto a emergência quanto as informações que circulam sobre ela. O trabalho de compreender o acidente esbarra numa estrutura em que admitir um erro pode ser recebido como um ato de deslealdade.

Jared Harris interpreta Legasov, Stellan Skarsgård vive Boris Shcherbina e Emily Watson integra o núcleo de investigação científica. Craig Mazin assina a criação e o roteiro; Johan Renck dirige os cinco capítulos. A alternância entre salas de reunião, hospitais, residências e instalações industriais dá ao desastre uma escala humana: decisões tomadas num lugar atingem pessoas que, em outro, ainda não receberam informações suficientes para se proteger.

O reconhecimento no Emmy de 2019 alcançou dez categorias, incluindo minissérie, direção, roteiro e composição musical. É uma indicação concentrada, com começo e fim em cinco episódios, para quem procura uma história que continue reverberando depois da sessão. O bastidor da trilha oferece ainda outra maneira de acompanhá-la: prestar atenção ao som como parte da ameaça. O que parece apenas uma atmosfera inquietante tem, em sua origem, o registro físico de uma instalação nuclear real.

Leia Também