Discover

Há situações que qualquer pai ou mãe teme imaginar. Um descuido de poucos segundos em um lugar movimentado. Uma distração banal. Um telefonema. Uma conversa. Então a criança desaparece. É exatamente desse medo universal que nasce “O Sequestro”, thriller lançado em 2017 sob direção de Luis Prieto. A trama acompanha Karla Dyson (Halle Berry), uma mãe solteira que vê seu filho Frankie (Sage Correa) ser sequestrado durante um passeio e decide perseguir os criminosos por conta própria quando percebe que esperar ajuda pode custar tempo demais.

Karla vive uma rotina simples. Trabalha como garçonete, enfrenta problemas ligados à guarda do filho e tenta construir uma vida estável para o menino. Durante um passeio em um parque de diversões, ela se afasta por instantes para atender uma ligação relacionada ao processo de custódia. Quando retorna, Frankie desapareceu.

A sequência é construída para provocar desespero. Karla corre entre brinquedos, barracas e corredores do parque procurando pelo filho. O pânico cresce a cada minuto até que ela vê uma mulher arrastando Frankie para dentro de um carro. Sem pensar duas vezes, tenta impedir a fuga. Não consegue. O veículo parte e leva consigo a única pessoa que realmente importa para ela.

Perseguição sem fim

A partir desse momento, “O Sequestro” praticamente se transforma em uma perseguição contínua. Karla entra em sua minivan e passa a seguir os sequestradores por estradas, rodovias e áreas rurais. O detalhe que torna a situação ainda mais desesperadora é que seu telefone cai durante a tentativa de impedir o sequestro. Ela perde o principal meio de comunicação justamente quando mais precisa dele.

Enquanto acompanha o carro dos criminosos, Karla tenta chamar atenção de motoristas, acionar policiais e conseguir qualquer tipo de auxílio. Nada acontece da maneira esperada. Cada tentativa gera um novo problema. Acidentes surgem pelo caminho. Pessoas inocentes acabam envolvidas. Viaturas aparecem e desaparecem. A sensação é a de que a protagonista está sempre a poucos metros de recuperar Frankie e, ao mesmo tempo, a quilômetros de realmente alcançá-lo.

Os sequestradores também não são retratados como amadores. Margo (Chris McGinn) e Terrence Vicky (Lew Temple) sabem exatamente o que estão fazendo. Eles mudam de rota, criam obstáculos, usam o menino para intimidar Karla e aproveitam qualquer oportunidade para aumentar a distância. A perseguição ganha um aspecto quase obsessivo porque nenhum dos lados parece disposto a desistir.

Protagonista que carrega a história

A atuação de Halle Berry é o que segura o filme. A atriz passa boa parte da duração do longa dentro de um carro, falando sozinha, chorando, gritando e tentando manter o controle emocional enquanto tudo ao redor parece desmoronar. Em muitos momentos, ela carrega a narrativa praticamente sem apoio de outros personagens. O espectador acompanha seu desgaste físico e psicológico em tempo real.

Existe uma honestidade interessante nessa construção. Karla não possui treinamento militar. Não é policial. Não é investigadora. Não tem habilidades especiais. Ela é apenas uma mãe aterrorizada tentando impedir que o filho desapareça. Essa escolha aproxima a personagem do público e torna várias decisões mais compreensíveis, mesmo quando parecem impulsivas ou perigosas.

Direção simples

Luis Prieto faz uma narrativa simples e extremamente objetiva. O filme não busca grandes mistérios nem desenvolve tramas paralelas elaboradas. Seu interesse está concentrado em uma única pergunta. Onde está Frankie e quanto tempo ainda resta para encontrá-lo?

Essa simplicidade tem vantagens e limitações. Por um lado, mantém o ritmo acelerado durante quase toda a projeção. Por outro, alguns personagens secundários recebem pouco desenvolvimento. Os sequestradores existem principalmente para alimentar a tensão da busca e não para apresentar camadas psicológicas mais profundas.

Ainda assim, a escolha funciona dentro da proposta. “O Sequestro” pertence à categoria de thrillers que apostam em um conceito forte e sustentam toda a narrativa a partir dele. O desaparecimento de Frankie é o motor de cada cena. Tudo gira em torno da tentativa de Karla de impedir que o garoto desapareça dentro de uma engrenagem criminosa maior do que ela imaginava.

O aspecto mais interessante da obra talvez seja a maneira como trata a impotência. Em vários momentos, Karla cruza com policiais, testemunhas e pessoas que poderiam ajudá-la. Mesmo assim, ela percebe que os procedimentos normais levam tempo. E tempo é exatamente aquilo que ela acredita não possuir. O filme transforma essa urgência em combustível dramático e mantém a tensão elevada durante boa parte da projeção.

Sem grandes pretensões artísticas, “O Sequestro” entrega aquilo que promete. É um suspense de perseguição construído sobre um medo profundamente humano. Luis Prieto compreende que a força da história não está nos criminosos nem nas cenas de ação mais elaboradas. Está no olhar desesperado de uma mãe que se recusa a aceitar que o filho desapareça diante dela. Enquanto houver uma estrada pela frente e a menor chance de alcançar o carro dos sequestradores, Karla continua acelerando. E é essa obstinação que mantém o filme em movimento do primeiro ao último minuto.


Filme: O Sequestro
Diretor: Luis Prieto
Ano: 2017
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

Leia Também