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Clássicos são montanhas literárias que juramos escalar um dia, mas que, ao final da quarta página, nos fazem considerar um mergulho voluntário em qualquer caldeirão fervente de vídeos curtos e listas de supermercado. Ninguém nega que são marcos da civilização ocidental, e que, com frequência, pesam como ela. Tentamos encará-los com seriedade, como se estivessem nos avaliando também, mas o que começa como leitura vira penitência, e o marcador de página passa mais tempo dormindo do que trabalhando. São obras eternas, sim, como a sensação de que nunca vão acabar.

Claro que há os devotos: aqueles seres raros que realmente releram todos esses tomos por puro deleite, provavelmente no idioma original e numa tarde chuvosa. Mas para o restante da humanidade, esses livros habitam o altar da estante alta, inalcançável sem banquinho, onde ficam protegidos do toque humano, e da releitura. Porque uma coisa é ter lido uma vez, sob tortura ou vaidade; outra é retornar voluntariamente ao campo de batalha de frases intermináveis, digressões filosóficas e personagens que somem por duzentas páginas e voltam como se nada.

A pergunta é: são cânones ou castigos? É claro que podemos admirar sua importância, sua complexidade, seu papel na história literária. Podemos até decorar o nome de alguns personagens, principalmente se forem os mesmos do título. Mas quando alguém diz “vou reler esse clássico monumental por prazer”, normalmente queremos chamar a emergência literária. Porque há livros que nos formam, e há livros que nos deformam um pouco no processo. A seguir, cinco obras que, com todo respeito, têm mais chance de serem redescobertas por arqueólogos do que relidas por leitores voluntários.

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