Carlos Drummond de Andrade

Os 10 melhores poemas de Carlos Drummond de Andrade

Pedimos a 20 convidados — escritores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Carlos Drummond de Andrade. Cada participante poderia indicar entre um e 10 poemas. Coincidentemente, não houve votos repetidos, o que só evidencia a grandeza e a vastidão da obra do poeta mineiro.

Desde de 2011, Carlos Drummond de Andrade ganhou o Dia D, inspirado no Bloomsday, o dia dedicado ao escritor irlandês James Joyce. A data, 31 de outubro, aniversário do poeta, é comemorada no Brasil e em Portugal.

 

 

A Máquina do Mundo 

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco o simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que tantos
monumentos erguidos à verdade;

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mão pensas.


Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas


Poema da purificação

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.


Poema de Sete Faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.


Tarde de Maio

Como esses primitivos que carregam por toda parte o
maxilar inferior de seus mortos,
assim te levo comigo, tarde de maio,
quando, ao rubor dos incêndios que consumiam a terra,
outra chama, não perceptível, tão mais devastadora,
surdamente lavrava sob meus traços cômicos,
e uma a uma, disjecta membra, deixava ainda palpitantes
e condenadas, no solo ardente, porções de minh’alma
nunca antes nem nunca mais aferidas em sua nobreza
sem fruto.

Mas os primitivos imploram à relíquia saúde e chuva,
colheita, fim do inimigo, não sei que portentos.
Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto e passa…
Outono é a estação em que ocorrem tais crises,
e em maio, tantas vezes, morremos.

Para renascer, eu sei, numa fictícia primavera,
já então espectrais sob o aveludado da casca,
trazendo na sombra a aderência das resinas fúnebres
com que nos ungiram, e nas vestes a poeira do carro
fúnebre, tarde de maio, em que desaparecemos,
sem que ninguém, o amor inclusive, pusesse reparo.

E os que o vissem não saberiam dizer: se era um préstito
lutuoso, arrastado, poeirento, ou um desfile carnavalesco.
Nem houve testemunha.

Nunca há testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
Se morro de amor, todos o ignoram
e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.
O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Canção Final

Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.


Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.


Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história.


No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

  • http://www.facebook.com/janainaverdan Janaína Verdan Retameiro

    “Ausência”, meu preferido!

  • http://www.facebook.com/thiago.castilho.39 Thiago Castilho

    Os dez melhores poemas do Drummond são:

    1. Poema de Sete Faces

    2. José

    3. No meio do caminho

    4. A máquina do Mundo

    5. Rola mundo

    6. A mesa

    7. Os ombros suportam o mundo

    8. Campo de Flores

    9. Procura da poesia

    10. Cantiga de enganar

    • http://www.facebook.com/gilson.rangel.3 Gilson Rangel

      Gosto muito de O Homem e as Viagens. Decorei rápido e sempre lembro . . .

  • http://www.facebook.com/thaismbc Thaís Mara

    “A Hora do cansaço” é sem dúvida um dos mais belos poemas dele!

  • maria angelica

    Dos pemas citados . gosta muito de “CANÇÃO FINAL”, mas, sem dúvida , o melhor para mim é : ” Definitivo”.

  • Gabriel

    Eu, etiqueta

    • Rafael Tom Luz

      Esse é bem interessante, e muitos o consideram um poema menor do Drummond.

  • luiz dreher

    Faltou o poema “José”, este é fantástico!!

  • Lara

    Sem José?
    E agora, Drummond?
    A matéria acabou,
    as poesias acabaram,
    e não tem José.
    E agora?

    • Dinho Gomes

      Agora Lara, vai ler Paulo Coelho até a cabeça dissolver, fazer o que? Quem não tem Drummond ,caça Coelho.

  • Ana Luiza Rigueto

    A mesa e O elefante são dos meus preferidos

  • Mhy´Stica

    Devia ter ´´José´´!!!!

  • Glaucia Alves

    Um dos meus prediletos: Os bens e o sangue.

  • kelly maria cotto dos santos

    os poemas dele são muitos legais principalmente o poema:Ausência

  • laura teixeira da silva

    gostei do ultimo

  • Julio de Carvalho

    “Para Sempre” esse é o Poema, faz lembrar minha Mãe…

  • samantha

    muitooo boommm

  • Fabíola

    amo as poesias se Drummond

  • Fabíola

    Carlos Drummond de Andrade seus poemas e q mi fez gostar de poemas e poesias

  • Mikiayne Siilva

    muito bom os poemas

  • maryasanttos

    d++++++++++++++++++++

  • leila

    muito bom

  • Juliana

    Tudo bem que a seleção era difícil, mas dou o meu pitaco : ” A noite dissolve os homens” , faltou. ;)

  • Carla

    A poesia de Drummond me despe. É o pouco do muito que tenho a revelar a respeito desse poeta de minha vida inteira.

  • Lázaro de Oliveira

    Faltou “José” aí.

  • Ana Lucia Almeida

    bomm !!!!!!! rs”

  • Gabriel Zaremba

    Muito bom

  • Jaque M.

    São poemas de uma simplicidade genial!

  • Deoclecio Albuquerque Fortes B

    As melhores poesias de Drummond são todas.

  • eu

    d+

  • julia

    os poemas sao bons e pequenos pra copiar

  • coroline

    gostei do para sempre e ausencia

  • andressa

    Eu gosto mais de outros que não apareceram na lista. **

  • ana maria rodrigues da silva

    era um grande engenheiro e um grande poeta

    • Emily

      acho que você confundiu o Drummond – o poeta , com o Dumont – o inventor

  • Vânia Santos

    Gosto muito do livro de versos “O avesso das coisas”.

  • Mariela Trindade

    Gosto muito dos poemas de Drummond. E amei conhecer o poema “Canção Final”
    . Nós lemos os poemas e os poemas nos leem.

  • Mirna

    A Flor e a Náusea é maravilhoso, merecia estar na lista.

  • Tales

    Amo Carlos Drummond de Andrade…
    Os poemas dele são perfeitos!!!!!!

  • Dinho Gomes

    Eu não vou entrar nesta roubada, Drummond é Drummond, e como é um dos meus preferidos junto com a querida “Clarice Lispector”, 10 poemas….acho muito pouco.

  • Leandro

    Drummond, vive em mim, um pedaço, um nasgo, de todos os teus sentimentos que tivestes pelo mundo!, tu, revigoras a minha alma.

  • Carlos E.

    Pelo amor dos meus filhinhos! “Nosso Tempo”!

  • Maria Moreira Marques

    De mãos dadas; José, e agora? Estes são inquestionáveis. Na verdade Drumond pensou em tudo e de forma especial nos desafia a pensar em saídas muitas vezes sem saídas como “A rosa de Hiroshima”.
    Maria Moreira Marques

  • Maria Moreira Marques

    Amo Drumond. Tudo que ele escreveu é perfeito.

  • Ivan

    Pra mim é, e foi o melhor poeta brasileiro de todos os tempos. E digo brasileiro porque não conheço os demais, embora poderia dizer que foi o melhor poeta do planeta: inteligente, sábio e experiente em suas alegaçoes vividas e sonhadas. Que onde esteja, esteja bem e ainda escrevendo como sempre o fez. Com perfeição!!!!!

    • Victor Eduardo

      Existem vários outros poetas como por exemplo :
      Vinícius de Moraes , Joaquim Barbosa , Xico Boarque , Clarice Lispector , Cecília e etc

  • Cíntia Motta

    Ah como O Poeta ficaria agora feliz de ler os comentários escritos aqui. S2 Tenho uns 999 poemas preferidos do tio Drummond, mas acho que este cabe bem a esse post:

    “Poema-orelha

    Esta é a orelha do livro
    por onde o poeta escuta
    se dele falam mal
    ou se o amam.
    Uma orelha ou uma boca
    sequiosa de palavras?
    São oito livros velhos
    e mais um livro novo
    de um poeta inda mais velho
    que a vida que viveu
    e contudo o provoca
    a viver sempre e nunca.
    Oito livros que o tempo
    empurrou para longe
    de mim
    mais um livro sem tempo
    em que o poeta se contempla
    e se diz boa-tarde
    (ensaio de boa-noite,
    variante de bom-dia,
    que tudo é o vasto dia
    em seus compartimentos
    nem sempre respiráveis
    e todos habitados
    enfim.)
    Não me leias se buscas
    flamante novidade
    ou sopro de Camões.
    Aquilo que revelo
    e o mais que segue oculto
    em vítreos alçapões
    são notícias humanas,
    simples estar-no-mundo,
    e brincos de palavra,
    um não-estar-estando,
    mas de tal jeito urdidos
    o jogo e a confissão
    que nem distingo eu mesmo
    o vivido e o inventado.
    Tudo vivido? Nada.
    Nada vivido? Tudo.
    A orelha pouco explica
    de cuidados terrenos:
    e a poesia mais rica
    é um sinal de menos.”

  • Joana Morais

    Pra mim faltou Jose , o poema que fez que eu amasse Drummond

  • Rosana

    A VERDADE DIVIDIDA

    A porta da verdade estava aberta
    mas só deixava passar
    meia pessoa de cada vez.

    Assim não era possível atingir toda a verdade,
    porque a meia pessoa que entrava
    só conseguia o perfil de meia verdade.
    E sua segunda metade
    voltava igualmente com meio perfil.
    E os meios perfis não coincidiam.

    Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
    Chegaram ao lugar luminoso
    onde a verdade esplendia os seus fogos.
    Era dividida em duas metades
    diferentes uma da outra.

    Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
    Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
    E era preciso optar. Cada um optou
    conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
    (Carlos Drummond de Andrade)

  • Sergio Penna

    As sem-razões do amor

    Eu te amo porque te amo,
    Não precisas ser amante,
    e nem sempre sabes sê-lo.
    Eu te amo porque te amo.
    Amor é estado de graça
    e com amor não se paga.

    Amor é dado de graça,
    é semeado no vento,
    na cachoeira, no eclipse.
    Amor foge a dicionários
    e a regulamentos vários.

    Eu te amo porque não amo
    bastante ou demais a mim.
    Porque amor não se troca,
    não se conjuga nem se ama.
    Porque amor é amor a nada,
    feliz e forte em si mesmo.

    Amor é primo da morte,
    e da morte vencedor,
    por mais que o matem (e matam)
    a cada instante de amor.

    • Cíntia Motta

      Este eu sei de cor desde os 13 anos, quando ganhei meu primeiro livro de Drummond. Adorooo

  • mariana

    Fiquei apaixonada com a apresentação desse poema de Drummond no Museu da Língua Portuguesa :

    O SEU SANTO NOME

    Não facilite com a palavra amor.
    Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
    Não se inebrie com o seu engalanado som.
    Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
    Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
    de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
    que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
    Não a pronuncie.

  • Sergio Soares

    “E agora, José?

    Sua doce palavra,

    seu instante de febre,

    sua gula e jejum,

    sua biblioteca,

    sua lavra de ouro,

    seu terno de vidro,

    sua incoerência,

    seu ódio – e agora?”

    Precisa dizer mais alguma coisa?

    • lalá

      bonita rima parabéns

    • fabiane

      gostei …

  • M.Ricardo

    A obra de Carlos Drummond de Andrade é muito interessante, mas o poema da pedra não me interessou como os demais poemas!

  • Sergio Luiz Dias

    Observação extremamente perspicaz, no mínimo.

  • Luiz

    M.Ricardo, acredito que o desgosto pelo poema foi sua falta de percepção com a proposta. Nesse poema em questão, ‘a pedra’ está ficando para trás, ou seja, conforme o andar, a pedra vai ficando para trás, assim como a lembrança:

    ‘No meio do caminho tinha uma pedra
    tinha uma pedra no meio do caminho
    tinha uma pedra’

    Ele vai se esquecendo.

  • Albany Camelo Sampaio

    Já tentou entender por que ele escreveu: “No meio do caminho tinha uma pedra…” e não, “No meio do caminho havia uma pedra…???”

  • Shis

    Achei arrogância da sua parte. deixe as pessoas fruírem a arte de Drummond, cada uma como bem entender. Isso é fruição, não é aula de Literatura e mesmo se o fosse, não seria assim o modo de corrigir.

  • Elizabeth

    Há um poema, que discuti na sessão de terapia, em que havia a explicitação da nossa duplicidade:…” um lado meu…o outro…”. Quero recuperá-lo…Alguém pode me ajudar ?

    • Valéria Gallo

      Será que é esse, Elizabeth?

      Ferreira Gullar: TRADUZIR-SE

      Uma parte de mim
      é todo mundo:
      outra parte é ninguém:
      fundo sem fundo.

      uma parte de mim
      é multidão:
      outra parte estranheza
      e solidão.

      Uma parte de mim
      pesa, pondera:
      outra parte
      delira.

      Uma parte de mim
      é permanente:
      outra parte
      se sabe de repente.

      Uma parte de mim
      é só vertigem:
      outra parte,
      linguagem.

      Traduzir-se uma parte
      na outra parte
      - que é uma questão
      de vida ou morte -
      será arte?

  • alisson

    O mais irreverente de todos os poemas já feitos por ele.

    Oficina irritada

    Eu quero compor um soneto duro
    Como poeta algum ousara escrever.
    Eu quero pintar um soneto escuro,
    Seco, abafado, difícil de ler.

    Quero que meu soneto, no futuro,
    Não desperte em ninguém nenhum prazer.
    E que, no seu maligno ar imaturo,
    Ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

    Esse meu verbo antipático e impuro
    Há de pungir, há de fazer sofrer,
    Tendão de vênus sob o pedicuro.

    Ninguém o lembrará: tiro no muro,
    Cão mijando no caos, enquanto arcturo,
    Claro enigma, se deixa surpreender.

  • João Moreira da Silva

    Este poema Para sempre escrita por este grande escritor faz parte da minha história de vida e de muitos que não tem a sua mãe.

  • João Moreira da Silva

    A poesia é reflexão do interior da nossa alma que expressam palavras para entender a nossa verdadeira identidade humana.

  • Augusto Granja

    Olá Rachel. Concordo com você.
    No meu entendimento a poesia não precisa, obrigatoriamente, ater-se à Norma Culta da Língua Portuguesa. Drumond fala ao povo, ao cidadão comum, ele quer se comunicar com o seu igual e não com um grupo de eruditos. Para mim se ele escreve que havia uma pedra, não teria causado tanto impacto nos meios literários e a prova disso é que essa discussão perdura até hoje. Entendo o que ele quis dizer com “no meu caminho tinha uma pedra” como a representação dos obstáculos que haveremos (ou teremos?) que enfrentar durante nossa trajetória de vida. Cada dia é uma pedra que temos que remover e muitas vezes não é apenas uma pedra, mas um muro.

  • http://www.siman.vai.la/ Jhordany S. Siman

    Nosso grande Drummond, o maior poeta brasileiro de todos os tempos! Muito bom…

  • Marcelo

    Drummond era o gênio da poesia.

    • Débora Elias Alves

      e mesmo

  • Débora Elias Alves

    ele arrasou na poesia

  • Neide

    Assisti uma entrevista de Drummond, na TV, ainda quando era vivo, e ele comentou esse poema “No meio do caminho”. Para minha surpresa, ele disse que estava andando por um caminho e realmente tinha uma pedra no meio do caminho. E quase tropeçou nela. Depois riu muito e disse: só isso. .

  • N.Isabel Leite

    Drummond era um grande poeta!

  • Marco

    Poesia alimenta a alma, nos faz viajar, interiorizar para olharmos como em um espelho um raio x e assim exteriorizar aquilo que temos de bom. Legal seria se o mundo aderisse a poesia, ou seja, que cada ser aprendesse a ser ver por dentro e que naturalmente deixasse fluir, aflorar rimas, amores, paixões….

  • lorrane

    sao lindos mesmo

  • isaac

    Drummond é um super cara
    Poesias lindas

  • Joao Batistafg

    Grande Drummond.

  • portugues

    Poesias Muito Legais

  • facebook

    muito legais

  • Carla

    Amei esses poemas são lindos…..Parabéns Carlos Drumond Andrad