Ideias

As Crônicas de Gelo e Fogo são literatura menor e a série Guerra dos Tronos é diversão descartável

As Crônicas de Gelo e Fogo são literatura menor e a série Guerra dos Tronos é diversão descartável

A história é conhecida. Uma série estreia. Faz sucesso de crítica. Começa a chamar atenção do público. Torna-se fenômeno pop. Domina a internet. As críticas negativas são rechaçadas com violência. Duas opções se desenham: a série é esticada desnecessariamente ou a série termina na hora certa. A série acaba. O último episódio é muito comentado. O interesse pela série começa a esfriar. Os DVDs da série entram em promoção no bacião de refugos das Lojas Americanas.

As cartas perdidas de Caio Fernando Abreu

As cartas perdidas de Caio Fernando Abreu

Decidi achar as cartas do Caio Fernando Abreu no meu arquivo (soterrado de papéis, acumulados em décadas). Ele escrevia normalmente para mim nos anos 1970, quando por um tempo fomos muito amigos e nos correspondemos, ele em Porto Alegre, eu em São Paulo. Biógrafos e estudiosos já me pediram essas cartas. Uma biógrafa chegou a duvidar da existência delas, já que eu não ofereço a aparência de um capital simbólico suficiente para convencer os deslumbrados. Mas por algum motivo não cedi. Agora vou revisitar cada uma delas, sem obedecer a nenhuma cronologia. São todas cartas legítimas, originais, com a assinatura do amigo que já tinha grande prestígio na época e se transformou num escritor cult, numa celebridade nacional, queridíssimo por muitos milhares de leitores.

Os 10 melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos

Os 10 melhores quadrinhos de super-heróis de todos os tempos

Os quadrinhos de super-heróis são a narrativa épica do nosso tempo. Não temos mais Ulisses, Poseidon e Homero, mas temos Doom Patrol, a Irmandade Dadá e Grant Morrison. Não faça essa cara. As pessoas ouviam as narrativas de Homero para escapar do quotidiano chato da Grécia Clássica. Nós lemos quadrinhos de ação pelo mesmo motivo. Não há nada de novo sob o sol. Ou melhor, há sim: super-heróis com colãs multicoloridos! Bang! Pflot! Zum!

Um Conan existencialista: pra quem gosta de “Game Of Thrones”

Um Conan existencialista: pra quem gosta de “Game Of Thrones”

Embora seja um ilustre desconhecido no Brasil, o escritor Michael Moorcock é uma lenda da literatura fantástica britânica. Influenciou todo mundo: Neil Gaiman, Alan Moore, Grant Morrison, Douglas Adams, Terry Prachett e George R.R. Martin, criador da série “Game of Thrones”. Moorcock também editou a revista de ficção científica “New Worlds” de 1964 a 1996, sendo responsável pela chamada “new wave” do gênero, que revelou (além dele próprio) escritores como J.G. Ballard (de “Crash”) e Ursula K. Le Guin (de “A Mão Esquerda das Trevas”).

Tem livros que insistem em nos largar

Tem livros que insistem em nos largar

Tem livros que insistem em nos largar. A gente se esforça pra gostar, volta, relê, mas não adianta: o livro não vai. Quando bati o olho em “Ele Está de Volta”, de Timur Vermes (Intrínseca), foi atração imediata. Só que Timur Vermes confunde “tema” com “trama”. Hitler no século 21 é um bom tema, mas não chega a ser uma trama. E aí, como não tem uma história pra contar, o que sobra são longuíssimas observações de Adolf Hitler sobre a decadência do mundo e da Alemanha, em particular. Lá pelas tantas, você começa a suspeitar que o autor simpatiza demais com as ideias do personagem.