Reflexões para idiotas

Reflexões para idiotas

Debater produção e consumo de conteúdo nos dias de hoje é uma ação espetacular e que deve ser extremamente apoiada, mas não devemos recorrer necessariamente ao caminho mais fácil para fazê-lo — o da prepotência e arrogância. É bem fácil criticar a relevância social da biografia do Justin Bieber, estudar a possibilidade de Dan Brown ter plagiado uma obra ao produzir “O Código da Vinci” e entrar em um debate sobre o impacto dos livros de autoajuda, mas isso precisa fazer parte de um debate maduro, sem agressões.

A saga do andarilho cibernético

A saga do andarilho cibernético

Depois do novo-rico, do novo-classe média e do cada vez mais comum novo-pobre, mais uma categoria se tornou clássica em terras que Cabral descobriu, Caminha divulgou e Bill Gates incluiu digitalmente: a do novo-enfezado. Segundo os especialistas em distúrbios de personalidade, isso acontece principalmente porque, como as pessoas que apresentam intolerância a lactose, glúten e outras substâncias, o novo-enfezado padece de uma severa alergia a tudo que contradiga o que seus heróis e dominatrixes determinam como bom e ruim.

Manual de autoajuda para deputados

Manual de autoajuda para deputados

Se conselho fosse deputado, o povo não dava, comprava. De gente boa, o plenário e o inferno estão lotados. O que outras pessoas pensam de ti — embora seja a mais pura verdade — não é da conta deles, mas sim, da polícia federal. Não leves as escutas telefônicas tão a sério. Sem a devida autorização judicial, valem menos que discurso de vice-presidente num feriado da Independência.

É muito fácil vender a mãe

É muito fácil vender a mãe

De certa forma vender a mãe é como repassar a alma ao diabo. Os sentidos são múltiplos. Não ter escrúpulos, ser íntimo do cinismo, fazer conchavos com a dissimulação, trair a confiança dos que algum dia já foram importantes pra nós, torpedear aquilo que em outros séculos se convencionou chamar de caráter, vergonha, pudor e variações de termos afiliados. Normalmente, quem vende a mãe se comporta  de acordo com as conveniências. Já enterrou os ideais remanescentes do outro lado do rio. Atirou os sonhos no lixo faz tempo, porque a grande meta de sua existência consiste, aliás, em não perder tempo com o que não vale a pena.

“Amor à Vida” nos faz pensar se a Globo não deveria dar uma chance à mulher de Silvio Santos

“Amor à Vida” nos faz pensar se a Globo não deveria dar uma chance à mulher de Silvio Santos

Walcyr Carrasco abeberou-se no que há de pior na teledramaturgia mexicana: o melodrama exagerado, atitudes injustificadas, personagens vazios, enredos caricatos. No meio de tantos aspectos ruins, é difícil apontar qual a principal falha da novela (até a canção de abertura, “Maravida”, inesquecível nas interpretações de Gonzaguinha e Maria Bethânia, tornou-se um brega choroso insuportável com o estridente sertanejo Daniel).

Laurentino Gomes, o Paulo Coelho da história, lança livro sobre a proclamação da República

Laurentino Gomes, o Paulo Coelho da história, lança livro sobre a proclamação da República

Com os pesquisadores mais abalizados é assim: a história anda de trem, mais lentamente. Mastiga-se os fatos, confrontando-os de maneira nuançada. O resultado, às vezes, é uma história mais discutida do que afirmativa. Com o jornalista Laurentino Gomes é diferente: a história anda de jato, com fórmulas e “piadas” nada sisudas sobre personagens históricos, não raro caricaturizados.

A canalhice conta com a burrice

A canalhice conta com a burrice

A verdade é que os médicos somos, antes de tudo, burros. Muito burros. Fizemos exatamente o que a canalhada federal queria. Fizemos greve, dando oportunidade pros jornais documentarem pacientes que haviam marcado sua consulta há meses e tendo de remarcar. Dizemos para os colegas não atenderem os erros e complicações dos cubanos. Recebemos, vestindo nossos jalecos brancos e com gritos raivosos, os colegas estrangeiros, no aeroporto.