Autor: Edival Lourenço

Anhanguera: herói ou vilão? Foto: Vinicius Bacarin

Anhanguera: herói ou vilão?

Se formos rever nossa história e nossa cultura, à luz dos valores atuais, principalmente, se embrulhados pelo manto da ignorância, teremos que cancelar tudo o que aconteceu e foi reproduzido simbolicamente, de 1990 para trás. Ao invés de termos uma História das Civilizações, que tem jogado luz sobre o passado, refletido no presente e ainda abrindo flashes para o futuro, teremos que adotar outra ciência, algo parecido com Amnésia das Civilizações.

Ouvidos de ouvir

Ouvidos de ouvir

Há quem ouça a verdade ser dita pelas bocas das cacimbas, pelos ventos nas folhas de relva, pelos voos claudicantes dos pássaros e até pela borra de café em espirais no fundo da caneca. Há quem ouça a verdade ser dita pelos lances de dados, pelos jogos de búzios, pelas pedras das runas e até pela disposição caótica dos detritos no estômago dos animais sacrificados.

E se a vida tivesse fundo musical

E se a vida tivesse fundo musical

Vida boa é de personagem. Antes que os fatos aconteçam, já tem uma musiquinha ao fundo, dando a dica do que vem pela frente. A vida da gente é um tanto mais precária se comparada com a dos personagens de filmes e novelas. Como seria a vida real se cada um de nós fosse portador de um ouvido invulgar para ouvir a música que toca em surdina, enquanto as coisas se preparam para acontecer?

O homem da Idade do Plástico Ales Utouka / Dreamstime

O homem da Idade do Plástico

A Revolução Industrial, a qual sentimos muito próxima de nós, se deu com a liga de ferro e carbono, que vai se firmando como a Idade do Aço. Hoje vivemos um tempo de ligas impensáveis para nossos antecedentes. Mas a liga dominante, creio, é a de plástico, uma liga orgânica de uso infinito, retirada do petróleo pelo processo de craqueamento. Talvez estejamos vivendo a Idade do Plástico, que é uma liga ubíqua: está em tudo e em toda parte.

O medo de morrer nos mata por antecipação

O medo de morrer nos mata por antecipação

Toda atividade humana tem como função básica livrar-se das garras da morte. É para não morrer que a gente dorme, que a gente se levanta, que a gente ama, que a gente estuda, trabalha, xinga, blasfema, reza ladainhas, faz discurso na praça, arruma um ponto de mínimo conforto nas engrenagens da sociedade e acaba por constituir um diferencial, uma persona, uma identidade única no meio de tantas criaturas semelhantes.