Autor: Edival Lourenço

A fauna dos ridículos

A fauna dos ridículos

Antes das pirâmides e depois delas, a História tem sido tracionada muito mais pelos delírios humanos do que mesmo pela nossa propalada razão. Temos a superstição de que somos predestinados a conquistar a Terra, comer a fruta e chupar a caroço, aprontar um regaço e fazer um oco, e ainda saltar fora como a borboleta cintilante com seus vidrilhos e lantejoulas, abandonando a pupa gosmenta e repugnante.

A responsabilidade de quem escreve

A responsabilidade de quem escreve

De início, recorro à antológica distinção estabelecida pelo sociólogo e crítico literário francês Roland Barthes. Para Barthes existem duas classes de profissionais que trabalham com a palavra escrita: o escritor e o escrevente. O escritor é aquele que trabalha a sua palavra e absorve-se funcionalmente nesse trabalho. Ele tem finalidade estética, postula o belo, o alargamento da realidade por meio do encantamento, da arte literária.

O suicídio em suspenso

O suicídio em suspenso

Os pais entreolharam-se, sem apoiá-lo nem repreendê-lo. Qualquer ação poderia, com o tempo, reverter-se em munição para que ele insistisse no disparate. Abafaram seu sonho com indiferença, ao mesmo tempo em que tentavam influenciá-lo a gostar das coisas do sítio, como os irmãos: doma gentil no rodonel, clube do laço, prova do tambor, cavalgadas de domingo, além da lida cotidiana.

Meu grito fake de Arquimedes

Meu grito fake de Arquimedes

Hoje sei que a ideia não é original. Aliás, quem pensa ter uma ideia original, possivelmente, esteja mal-informado. Quase tudo já foi pensado, quase tudo já foi dito. Embora nem quase tudo fosse ouvido e muito pouco captado. Eu estava mal- informado quando, na minha adolescência, imaginei ser original a ideia do mundo semelhante a um imenso relógio. Em meu íntimo, Arquimedes gritou: eureca!