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Em “Fuga da Morte”, dirigido por Mike Burns, uma simples trilha nas montanhas se transforma em pesadelo quando Shannon Mathers (Jaime King) fotografa uma negociação de drogas comandada pela policial Billie Jean Stanhope (Lala Kent), obrigando o ex-policial Jack Harris (Bruce Willis) a ajudá-la a escapar de uma rede de agentes corruptos liderada pelo xerife Hank Rivers (Michael Sirow).

Shannon sobe a montanha para espalhar as cinzas do pai. O cenário é silencioso, isolado e um momento íntimo de despedida. Ela leva apenas mochila, câmera e alguns equipamentos básicos de caminhada. Mike Burns aproveita esse início mais calmo para mostrar a personagem distante de qualquer apoio. Não há sinal de celular funcionando, não há turistas por perto e praticamente ninguém circula pela região. A sensação de vulnerabilidade cresce antes mesmo do primeiro tiro.

Quando Shannon escuta vozes perto da mata, percebe uma negociação suspeita envolvendo Billie Jean e outros policiais. Ela faz aquilo que qualquer fotojornalista faria diante de um flagrante daquele tamanho. Esconde-se entre as árvores e começa a fotografar tudo. O problema aparece segundos depois. Um dos homens percebe o clique da câmera e a perseguição começa sem qualquer preparação. Billie Jean abandona a postura profissional e passa a agir movida por pânico. Aquelas imagens podem destruir carreiras, expor corrupção policial e comprometer a campanha política de Hank Rivers.

Mike Burns constrói a tensão usando elementos muito simples. Uma floresta extensa, estradas vazias, caminhonetes surgindo à distância e personagens que não sabem exatamente em quem confiar. O diretor não tenta sofisticar demais a narrativa. Ele prefere manter o foco na sobrevivência de Shannon e na tentativa dos policiais de recuperar as fotografias antes que elas cheguem às autoridades federais.

O homem cansado da cabana

Bruce Willis interpreta Jack Harris com expressão abatida e poucas palavras. O personagem acaba de perder a esposa para o câncer e se refugia numa cabana afastada pertencente à sobrinha Pam Harris (Kelly Greyson). Jack procura silêncio, bebida e algum tipo de descanso emocional. O roteiro deixa evidente que ele não pretende voltar à rotina policial. A aposentadoria parece mais um esgotamento definitivo do que uma escolha feliz.

Jack, então, cruza com Billie Jean prestes a executar Shannon na floresta. Ele interfere porque ainda carrega instinto policial, embora o personagem demonstre cansaço físico durante quase todo o filme. Jack saca a arma, impede o assassinato e leva Shannon para longe dali. A decisão transforma os dois em alvos prioritários dentro daquela região.

Jack tenta encontrar rotas seguras enquanto Shannon insiste que as fotografias precisam sair da montanha. Os dois discutem diversas vezes. Ela quer agir por impulso. Ele prefere observar o terreno antes de qualquer passo. Bruce Willis trabalha o personagem num registro mais introspectivo. Jack fala pouco, anda devagar e aparenta estar sempre alguns segundos atrasado em relação aos acontecimentos. Curiosamente, essa limitação ajuda o filme. O personagem parece humano o tempo inteiro.

Existe também uma ironia discreta na situação. Jack passou boa parte da vida usando distintivo e agora precisa fugir justamente de policiais. A floresta deixa de ser espaço de descanso e vira território controlado por agentes armados, viaturas escondidas e rádios transmitindo ordens de perseguição.

Polícia, campanha e corrupção

Hank Rivers gerencia toda a situação pensando na eleição para prefeito. Michael Sirow interpreta o xerife com comportamento frio e calculista. Ele não demonstra nervosismo. Pelo contrário. Hank tenta manter aparência pública de autoridade respeitável enquanto coordena operações ilegais longe da cidade. O personagem sabe que um escândalo envolvendo drogas e policiais corruptos destruiria qualquer chance eleitoral.

Billie Jean funciona como o elo mais instável daquele grupo. Lala Kent interpreta a policial de maneira agressiva e impulsiva. A personagem toma decisões precipitadas, pressiona testemunhas e frequentemente cria problemas adicionais para os próprios colegas. Cada erro dela aumenta o tamanho da operação clandestina montada para capturar Shannon.

O roteiro fala da corrupção policial de maneira bastante objetiva. Mike Burns prefere mostrar homens armados tentando controlar estradas, esconder provas e eliminar testemunhas antes que informações vazem para fora da montanha. Isso deixa a narrativa mais dinâmica e ajuda o suspense a permanecer constante.

Em alguns momentos, o filme lembra thrillers policiais dos anos 1990 feitos para televisão, especialmente pela estrutura enxuta e pelo interesse maior na perseguição do que em grandes reviravoltas. Ainda assim, “Fuga da Morte” consegue manter ritmo suficiente para impedir que a história fique parada.

Sobrevivência acima de tudo

Jaime King carrega boa parte do peso dramático do longa. Shannon não possui treinamento militar, força sobre-humana ou habilidades improváveis. Ela tropeça, se desespera, toma decisões ruins e demonstra medo durante toda a fuga. Isso aproxima a personagem do espectador. Quando Shannon corre pela floresta segurando uma câmera que pode destruir uma campanha política inteira, o filme trabalha tensão a partir da fragilidade dela.

Mike Burns também usa o ambiente de maneira eficiente. As árvores bloqueiam visão, o relevo dificulta deslocamentos e a distância da cidade elimina qualquer sensação de segurança. Há momentos em que Jack e Shannon param apenas para respirar, ouvir passos ao longe ou decidir qual estrada oferece menor risco. Nessas pausas, o suspense cresce mais do que nas cenas de tiro.

“Fuga da Morte” aposta numa narrativa simples, personagens acuados e perseguições constantes em espaços isolados. Enquanto Shannon tenta preservar as fotografias e Jack procura uma saída da montanha, os policiais corruptos passam a agir cada vez mais perto do descontrole, aumentando o risco de que toda a operação ilegal venha à tona.


Filme: Fuga da Morte
Diretor: Mike Burns
Ano: 2021
Gênero: Ação/Crime/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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